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SUPERthrive e sua utilização nas orquídeas

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Há alguns anos utilizo SUPERthrive em minhas orquídeas e, talvez alguns se lembrem, mostrei alguns resultados promissores aqui no site. Revendo estes textos, notei que nunca escrevi sobre o produto e, no final das contas, tudo ficou em aberto: afinal, eu continuava utilizando? Eu tinha gostado? Os resultados eram realmente bons? Vou unificar todas as minhas postagens sobre o produto neste artigo para esclarecer alguns pontos.

*este artigo é um compilado do que escrevi entre os anos de 2013 e 2014 sobre o produto. As postagens antigas foram removidas.

O que é?

O SUPERthrive é um produto muito procurado pelos orquidófilos em geral, mas a grande maioria não sabe exatamente do que se trata. Você sabe o que ele é? Se você respondeu fertilizante, você está errado.

O SUPERthrive é um recuperador de plantas danificadas ou, em miúdos, um estimulador de crescimento. Contém mais de 50 hormônios e vitaminas que trabalham para recuperar e fortalecer as plantas, além de maximizar seu potencial de crescimento. É um complemento para a alimentação de suas plantas, não é um fertilizante.

Composição do SUPERthrive

Sua fórmula exata é mantida em segredo desde sua criação, em 1940, por Jonh A. Thomson. Aliás, o John confiava tanto em seu produto que ofereceu 1 milhão de dólares para quem inventasse um composto melhor que o SUPERthrive. Não preciso dizer que, até hoje, ninguém foi reclamar o prêmio.

Mesmo assim, é sabido que possui vitamina B1 (0,09%), Ácido Acético naftil (0,048%) e hormônios para estimular o sistema radicular de sua planta, além de sólidos dissolvidos, normalmente observados quando o líquido seca na boca exterior do frasco.

Utilização do SUPERthrive

O SUPERthrive é utilizado para melhorar o desenvolvimento em todos os estágios das plantas, acelerando o crescimento e a floração. Por não ser um fertilizante, você pode utilizá-lo junto ao seu adubo preferido.

O SUPERthrive pode ser aplicado semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, dependendo da deterioração das plantas ou do seu grau de estresse. Há diversas formas de utilizá-lo e tudo dependerá de como você o fará. Por exemplo, o fabricante indica usar usar 1 ml a cada 4 litros d’água para uma aplicação diária ou 1 ml por litro d’água para uma aplicação semanal ou mensal.

Por outro lado, eu acho essa proporção muito alta e prefiro fazer uma dose muito mais homeopática do produto, utilizando apenas 1 gota por litro (cada mililitro do produto contem cerca de 30 gotas).

Como comprar o SUPERthrive

Não é difícil encontrar o produto em sites de jardinagem ou no Mercado Livre. Apenas atente-se que, primeiro, não é um produto barato e, segundo, ele deverá vir em sua embalagem original e com sua pipeta de dosagem. Infelizmente, alguns dos vendedores que comercializam o produto “fracionado” batizam o produto, adulterando-o. Pode até ter vendedores idôneos fazendo o fracionamento, mas você só irá descobrir depois de receber o produto. É melhor comprar o produto original junto com mais interessados e fracionar em casa, depois de ter a certeza que ele é original.

Experiências

Tenho um Oncidium Sharry Baby “Buttercup” que tinha ido para o espaço. Literalmente, foi detonado pelo Sol, secou, preteou, perdeu todas as folhas e raízes. Ficamos tristes, afinal, era uma planta bonita. Seus bulbos ficaram parados em um vaso por cerca de seis meses. Comecei a utilizar o SUPERthrive na sua dose recomendada e, depois de dois meses, eis que o primeiro broto aparece.

Claro, não é sempre que funciona. Em algumas plantas, várias raízes também apareceram. Após algum tempo, notamos alguns brotos secos, o que me fez mudar a dosagem para metade do recomendado. O brotos que sobreviveram estavam bem, mas os irmãos secos me fazem lembrar do poder do produto e do problema de utilizá-lo de forma inapropriada.

Portanto lembre-se: uma gota faz milagres sim, mas a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem.

Abraços!

Substratos: cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral

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Substratos cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral

Há algum tempo quero escrever mais sobre este assunto, afinal, cultivar orquídeas “na pedra” parece uma ideia meio louca para muitos. Bom, não é.

Desde que comecei a me aprofundar no hobby tenho vontade de experimentar tal cultivo. O motivo: sempre notei que alguns dos vasos absurdamente floridos em exposições tinham uma característica diferente: o substrato continha brita. Não no fundo, mas como substrato mesmo, para a planta agarrar e se desenvolver.

Intrigado, fui atrás de mais informações além daquelas que postei aqui no orquideas.eco.br no post que fiz sobre substratos inertes (que você pode ler clicando aqui). Além disto, conversei com alguns orquidófilos responsáveis por orquidários comerciais e, pasmem, brita é o substrato deles.

Mas afinal, qual é a vantagem de você pegar sua Cattleya e plantá-la em um substrato assim?

Vantagens

Basicamente, se eu fosse resumir para você, diria que é um substrato eterno. Mas não é apenas isso. As pedras são, em sua maioria, materiais inertes. Em alguns casos, apresentam pouquíssima atividade química e biológica, o que ainda pode ser benéfico para algumas espécies. Material inorgânico, sem ou com pouquíssima presença de microporos, tornando-os substratos bem secos, mas ao mesmo tempo com certa capacidade de retenção de umidade pela adsorção da água em sua superfície, devido a sua rugosidade. Não se compacta e permitem a aderência, aeração e desenvolvimento das raízes.

Com este substrato não é necessário replante constante devido à decomposição do substrato. A planta cultivada na pedra só é replantada em dois casos: crescimento da planta para fora das bordas do vaso ou com o apodrecimento do próprio vaso. Além disto, os vasos plásticos diminuem a evaporação, retendo um pouco da umidade apesar das pedras. Por fim, este substrato permite que regas sem adubo limpem o substrato, retirando o excesso de minerais que se depositam em qualquer substrato e podem prejudicar a planta com o tempo. Além disto, a planta não ficará encharcada por muito tempo, pois a drenagem da brita é muito boa.

Desvantagens

A principal desvantagem deste tipo de substrato é o seu peso. Se você possui um orquidário com bancadas mais simples ou com lugares para pendurar plantas, é importante considerar que alguns vasos com este tipo de substrato vão fazer uma diferença considerável na sua estrutura. Entretanto, é possível resolver isto usando outros materiais junto com as pedras, como cascas e isopor.

Além disto, você precisará se acostumar com a nova frequência de regas que este substrato irá precisar, visto que possui uma secagem um pouco mais rápida.

Tipos

O tipo mais usado é a brita comum, daquelas de construção mesmo. A brita é um material inerte oriundo da moagem do granito e do gnaisse, rochas ígneas e metamórfica, respectivamente. É considerado por muitos o melhor tipo de pedra para ser usado como substrato.

Há também outros tipos de pedras inertes, como o seixo rolado de quartzo, a pedra de rio ou o pedrisco que sobra do peneirado de areia. Por fim, temos as pedras ricas em ferro, chamada pedra canga ou laterita. A pedra canga é uma pedra ferruginosa oriunda das regiões ricas em minério de ferro. Coincidentemente, estes locais abrigam as orquídeas do gênero Hoffmannseggella, antigas Laelias rupícolas. Elas vegetam neste tipo de rocha pois tem uma grande necessidade de ferro.

As britas oriunda de rochas calcárias não são indicadas para o cultivo, pois é uma rocha sedimentar de reação alcalina, fazendo com que o equilíbro do pH do substrato seja alterado e a planta tenha dificuldades em assimilar alguns nutrientes. Leia mais sobre o pH para as plantas clicando aqui!

Tamanhos

Existem vários tamanhos de brita, como mostrado a seguir:

  • pó de pedra – de 0 a 3 milímetros;
  • pedrisco – de 3 a 5 milímetros;
  • brita 0 – de 5 a 12 milímetros;
  • brita 1 – de 12 a 22 milímetros;
  • brita 2 – de 22 a 32 milímetros;
  • brita 3 – 32 a 62 milímetros;
  • brita 4 e 5 – de 62 a 100 milímetros.

Em geral, a brita 1 e a brita 0 são as mais usadas. Para raízes finas, como as do Dendrobium e Oncidium, o mais recomendado é a brita zero. Para as raízes mais grossas, a mais recomendada é a brita 1. Para qualquer outra entre estes tamanho, você poderá mesclar entre a brita 0 e brita 1.

Plantio

Toda brita deve ser lavada em água corrente para eliminar resíduos. Lembre-se que este tipo de material normalmente está em ambientes que também abrigam outros tipos de material de construção, como cimento e cal, que podem contaminar a brita e matar sua planta. O replantio pode ser feito considerando os passos descritos no meu artigo sobre replantio de orquídeas, que você pode ler clicando aqui.

Abaixo, um exemplo que funciona muito bem: meu amigo Durigan utiliza apenas brita com carvão em suas plantas. E crescem uma barbaridade…

orquideas.eco.br - Substratos cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral
Um exemplo, retirado do orquidário do meu amigo Durigan – brita com carvão
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Ele utiliza apenas isto para seus famosos híbridos
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E, como você pode ver, crescem muito bem!
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Tanto na fase adulta…
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…quanto ainda seedlings.

Referências

  • orquidariodurigan.com.br
  • orquideassemmisterio.blogspot.com.br
  • joaobehenck.blogspot.com.br
  • iracemafontes.wordpress.com
  • orkideas.com.br

Abraços!

EcoTronco – Fabergé Orquídeas

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orquideas.eco.br-EcoTronco

Se a primeira impressão é a que fica, então o EcoTronco já me ganhou.

Meu primeiro EcoTronco veio muito bem embalado e cheio de acessórios/mimos que certamente irão agradar muitos clientes. Em um primeiro momento, fiquei olhando produto e percebi o quão simples é o objetivo dele: umidade. Já tinha tentado fazer algo semelhante com pau de barro, mas confesso que nunca fui feliz nesta modalidade de cultivo. Já o EcoTronco me passou uma imagem muito mais profissional da velha ideia do pau de barro. E, olhando sua descrição no site do fabricante, parece realmente que eles tiveram o cuidado para que realmente o EcoTronco não seja apenas um pau de barro diferente e sim um produto único, que atende perfeitamente ao propósito para que foi projetado: o bem estar da orquídea ali plantada.

Reproduzindo o texto do fabricante, “o EcoTronco apresenta fácil manutenção e não utiliza substrato, fornecendo umidade e aeração na medida certa ter orquídeas saudáveis, evitando o apodrecimento das raízes e o desenvolvimento de fungos nocivos. O EcoTronco foi elaborado após um ano de pesquisas para a seleção da matéria prima para garantir uma boa resistência, durabilidade e uma transpiração ideal, mantendo o ambiente na umidade correta para a saúde das raízes. A produção do vaso é realizada por processo controlado e padronizado, garantindo a queima homogênea das peças, a qualidade do produto final e a ausência de defeitos que possam provocar vazamentos, quebra, entupimento precoce dos poros provocando pouca ou nenhuma umidade na parede externa e a perda do vaso.

E o EcoTronco que recebi? Pois bem, o objetivo dele é receber uma Masdevallia e verificar a diferença evolutiva entre a planta no EcoTronco e a plantada tradicionalmente. Antes de mais nada, eis algumas fotos do produto que recebi, ou seja, um pequeno unboxing:

orquideas.eco.br-EcoTronco
Ao abrir a caixa, temos acessórios e um cartão de “boas vindas”
orquideas.eco.br-EcoTronco
O EcoTronco vem bem protegido para evitar quebras (na foto já sem a forração de proteção)
orquideas.eco.br-EcoTronco
Eis o EcoTronco!
orquideas.eco.br-EcoTronco
O Kit completo: EcoTronco, borrifador, prato, arame de sustentação, bolinhas que retém água e planta
orquideas.eco.br-EcoTronco
Deixei metade da planta no vaso original
orquideas.eco.br-EcoTronco
A outra metade da Masdevallia foi para o EcoTronco

As imagens falam por sí só. O EcoTronco é um produto bem pensado e bem cuidado. Vem muito bem embalado, com o cuidado que um fabricante sério dispensa aos seus produtos. Mimos como borrifador, as bolinhas de retenção de água e o cartão com dicas de cultivo para a espécie escolhida são um adicional muito bacana ao conjunto.

Bom, separei a Masdevallia que veio no conjunto e plantei uma no EcoTronco, deixando a outra no vaso original de cultivo, pois este era o objetivo deste teste. Irei monitorar as duas metades desta Masdevallia para ver como elas irão se desenvolver. Mas é mera formalidade, visto que a planta no EcoTronco certamente irá se desenvolver melhor pela umidade constante e a boa aeração de suas raízes.

Em breve estarei postando os resultados e testando outros produtos da Fabergé Orquídeas.

Caso queira ver e/ou adquirir este ou outros produtos da Fabergé Orquídeas, é só clicar aqui para conhecer a loja deles!

Referência

  • fabergeorquideas.com.br

Abraços!

Plantando orquídeas que necessitam de umidade em vaso plástico com musgo

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Amigos, muitas dúvidas chegam por e-mail e pelas redes sociais de como faço o plantio de espécies como Masdevallia, Dracula e Pleurothallis.

Bom, o que estas espécies tem em comum? Precisam de umidade. Dada a característica das plantas, optei por alguns métodos de cultivo. As Dracula eu coloco no EcoTronco ou na caixeta, pois deixam a parte de baixo da planta bem livre para que as flores cresçam sem problemas. Nesta espécie as flores tendem a ir para baixo e em vasos completamente fechados elas podem se perder.

Já os Pleurothallis que tenho que são provenientes do Equador e necessitam de mais umidade, além das Masdevallia que também gostam de um ambiente mais úmido, eu optei por colocar em vasos plásticos. Este tipo de vaso retém mais a umidade e o musgo é um tipo de substrato que se mantem úmido por muito mais tempo. Para mostrar este plantio, montei o vídeo abaixo. Vale lembrar que o tipo de plantio pode variar de região para região e do tipo de orquidário que você tem em casa. No meu caso, moro em uma cidade fria e úmida. Por este motivo, meu orquidário é coberto e tenho que controlar as regas. Assim, o controle de umidade é essencial.

Abraços

Vinagre no cultivo de orquídeas

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Vinagre

Vinagre? Nas orquídeas? Pois bem, de vez em quando procuro achar elementos que usamos no cotidiano para auxiliar em nosso cultivo e este é mais um destes casos.

Há muito tempo escrevi sobre o pH do substrato e, relendo minha anotações, achei que poderia mostrar um pouquinho mais sobre os benefícios dos produtos que podem acidificar ou alcalinizar o meio de cultivo de nossas plantas. Isto porque fungos e bactérias gostam de um substrato levemente ácido. Juntando os pontinhos, o vinagre é um dos ingredientes caseiros mais ácidos que temos em nossa despensa. Podemos, então, utilizá-lo para dificultar o desenvolvimento de doenças em nosso cultivo, bastando borrifar uma solução com vinagre em nossas orquídeas.

Para tal, basta diluir uma colher de sopa de vinagre (de maçã, por exemplo) para cada litro da água e borrifar a planta. Tome cuidado para fazer este procedimento em horários em que o Sol não está muito forte, afim de evitar queimaduras nas folhas. Como disse acima, é uma forma de evitar o desenvolvimento de doenças. Se alguma doença já estiver instalada em suas plantas, você terá que adotar outro tratamento. Tenho vários listados aqui no site, basta procurar nos artigos ou usar a busca para procurar o que você precisa.

Outras funções do vinagre

Mais especificamente, podemos utilizá-lo para controlar outras pragas, como por exemplo:

Cochonilhas e pulgões

Você pode remover manualmente cochonilhas e pulgões, quando a infestação não é gigantesca, com uma solução de água e vinagre (50% cada, ou seja, partes iguais). Basta embeber um chumaço de algodão na solução e tratar as partes da planta atingida. Quando a infestação é maior, veja as dicas deste artigo ou deste artigo.

Fungos

O vinagre pode ajudar em infestações mais pesadas de fungos. Com uma solução de duas partes de água para cada parte de vinagre, borrife nas plantas. Repita periodicamente na planta afetada para acompanhar e evolução e, se não houver progresso, parta para tratamentos mais fortes, como a calda bordalesa (clique aqui para ver mais).

Abraços

Aspirina no cultivo de orquídeas

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Certo dia um amigo comentou que usava aspirinas no sistema de aspersão de seu orquidário, junto com o Extrato Pirolenhoso e fertilizantes. Achei estranho e me perguntei por que a aspirina estaria sendo utilizada no cultivo de orquídeas. Enfim, fui pesquisar um pouco sobre o fundo científico disto e as experiências de quem usa.

A aspirina nada mais é que o Ácido Acetil Salicílico (composto industrial), o mesmo princípio ativo dos comprimidos (por exemplo, AAS). Nas células vegetais, o equivalente dele são os salicilatos. A salicina (C13 H18 O7) utilizada nos comprimidos é também encontrada na casca do salgueiro. Os Índios Nativos de América do norte mastigavam talos de salgueiro para se livrar das dores de cabeça, e posteriormente os botânicos perceberam que alguns capins e outras plantas aquáticas que cresciam nas margens dos rios entre as raízes dos salgueiros cresciam melhor e amadureciam mais depressa devido à salicina.

Em 1757, Edmund Stone, um inglês natural de Oxfordshire, provou a casca do salgueiro e ficou surpreso com o seu intenso sabor amargo. Sua semelhança com o sabor da casca do “Peruvian” (Cinchona) – um remédio raro e muito caro utilizado para malária – chamou a atenção de Stone, levando-o à iniciar uma observação clínica cuidadosa, que durou seis anos e culminou com uma carta ao Honorável George Conde de Macclesfield, Presidente da “Royal Society”, relatando sua descoberta. Stone baseou-se na teoria de que muitas doenças naturais carregam com elas sua cura, ou que sua cura não está muito distante da sua causa.

O salgueiro, assim como as doenças febris, são abundantes nas regiões úmidas. Apesar de não saber, o que ele acabava de descobrir era que os salicilatos – termo geral para os derivados do acido salicílico – reduziam a febre e aliviavam as dores produzidas por uma variedade de doenças agudas que provocavam calafrios, como a malária. A casca do salgueiro (Salix alba) é adstringente porque contém grande quantidade de salicina, o glicosídeo do ácido salicílico.

Transformando a salicina em ácido salicílico temos a famosa aspirina. A literatura recente indica que a aspirina também é agente efetivo no tratamento de infecções fúngicas.

Em experimentos, notou-se que as flores de corte sobrevivem mais e melhor quando se acrescenta um pouco de aspirina na água do vaso. Uma explicação para isso seria a alteração da acidez da água para uma faixa de Ph que dificulta a proliferação de bactérias e fungos e também na redução do estresse da planta por causa do corte. Enquanto a tendência nas células afetadas é aumentar a produção de etileno que acelera o envelhecimento e morte dos tecidos (senescência na linguagem agronômica), a aspirina inibe a síntese dele. Nas orquídeas, a aplicação de doses corretas de aspirina deverá promover a redução dos seus efeitos e por isso as plantas tratadas sejam capazes de suportar melhor as condições adversas como o ataque de pragas ou variações bruscas de temperaturas, etc.

A revista da AOS (American Orchid Society) de outubro de 2001 traz um texto interessante de Dot Henley, sobre a utilização de aspirina em suas orquídeas. Eis o trecho que indica a experiência do autor, assim como dosagens e resultados:

…comecei a tratar nossa coleção de orquídeas com uma dose semanal de aspirina. Percebi que podia multiplicar a boa diluição de 1/10.000 acrescentando três quartos de aspirina por galão de água. Temos umas 2.000 orquídeas, então usei 15 aspirinas para os 20 galões do reservatório do aspersor. Na fase de crescimento acrescentei 6 colheres de sopa de fertilizante sólido e um jato de Whisky. No inverno usei 3 colheres de fertilizante sólido (desculpem as reiterações do professor, mas uma aspirina completa por galão vai brecar o crescimento, e também não se deve usar este sistema se a sua água tem teor ácido. Nossa água tem normalmente um pH de 9.0 e a aspirina abaixava o nível do pH para 8.6).
As orquídeas recebiam regas ou água de chuva normalmente durante a semana. Para fazer 12 galões de solução fertilizante, combine 9 aspirinas com 12 galões de água; para 4 galões acrescente 3 aspirinas em 4 galões de água; e para fazer somente 1 galão dilua 1 aspirina num copo de água, jogue fora 1/4 dele e então acrescente água para completar 1 galão.
Nossas plantas tiveram mais floração, maior crescimento e menos problemas de fungos desde que a aspirina se tornou parte de nosso trato cultural. A única mudança tem sido acrescentar aspirina uma vez por semana. Pode ser a redução do pH, ou quiçá a mágica que dilui o nosso sangue e para as dores e sofrimentos que também nos ajuda a cultivar melhores orquídeas.
A outra coisa que aprendi e que venho usando por vários anos provem de um projeto de ciências de um dos meus alunos. Não se aplicava a orquídeas, mas as seis ou mais variedades de plantas de jardim tratadas demonstraram que o maior aproveitamento metabólico acontece às 11 horas e era melhor aplicar o fertilizante (e o herbicida também) nesse horário.

Claro que é apenas uma experiência apenas. A aspirina em outros países tem dosagens diferentes. Aqui no Brasil, a mais comum é a de 500mg. Para equalizar o cálculo de quantidade, seria necessário usar em média meio comprimido para 4 litros de água.

Dos orquidófilos que conheço, apenas meu amigo Antonio Carlos Gonçalves, do Substrato Best Mix Orquídeas, tem usado constantemente, com a dosagem de 1 comprimido (500mg) para cada 10 litros de água. Segundo ele, os resultados são muito bons e, principalmente, visíveis.

Bom, eu estarei iniciando seu uso em meu orquidário, assim que as chuvas da capital paranaense derem um trégua. Acho que desde o meio de outubro meu sistema de aspersão está desligado, pois todos os dias tem chovido em Curitiba.

Assim que eu notar algum resultado, volto a postar sobre o assunto.

Referências

  • comocultivarnossasorquideas.blogspot.com.br
  • montanhascapixabas.com.br

Abraços!

Calda de tiririca – enraizador natural para orquídeas

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Este artigo retrata uma curiosidade que alguns orquidófilos utilizam para reprodução de orquídeas, principalmente por estaqueamento, ou seja, o que é feito com orquídeas terrestres. É importante salientar que deve-se ter muito cuidado ao utilizar este método pois, dependendo da concentração, o efeito é contrário e prejudicial. Entretanto, como meu objetivo é informar e discutir ideias, não poderia deixar de escrever sobre algo que está rolando há algum tempo na Internet e alguns orquidófilos utilizam com muito sucesso.

A planta

A Cyperus rotundus, também conhecida como tiririca ou junça, é uma planta pequena, de rápido desenvolvimento, pertencente à família Cyperaceae e ao gênero Cyperus. Produz pequenos tubérculos de alto poder regenerativo (um único tubérculo cortado pode dar origem a várias plantas) ricos em fitormônios. Essa alta quantidade de fitormônios faz com que a planta seja usada para a produção e enraizamento de outras plantas, principalmente por estaqueamento.

Infelizmente, é uma erva daninha de difícil controle e, consequentemente, um saco de controlar quando há uma infestação.

Bom, pelo menos agora você pode tirar proveito disso, dependendo do caso.

Curiosidades

Proveniente da Índia, é considerada uma das espécies vegetais de maior distribuição no mundo. Está presente em todos os países de clima tropical e subtropical e em muitos de clima temperado. No Hemisfério Norte ocorre a partir do sul dos Estados Unidos e da Europa, aumentando sua presença em direção aos trópicos.

Aqui no Brasil, como a maioria de vocês deve ter notado, ocorre praticamente em toda a extensão territorial.

A grande sacada da tiririca é sua enorme capacidade de multiplicação, podendo formar até 40 toneladas de matéria vegetal por hectare. Ou seja, uma praga. Para isso, extrai o equivalente a 815 kg de sulfato de amônio, 320 kg de cloreto de potássio e 200 kg de superfosfato por hectare, calculados para 30 toneladas de massa vegetal.

Ácido Indol Acético (AIA)

Este é o cara central em toda a questão de utilizar ou não utilizar a calda em qualquer orquídea. Uns dizem que não há problema, outros dizem que temos que ter cuidado com a concentração ao AIA, pois pode queimar raízes e até matar a planta.

O AIA age como um fitorregulador. Fitorreguladores são substâncias utilizadas para interferir no metabolismo (anabolismo e catabolismo) dos vegetais. Os mais conhecidos são hormônios, tanto nas formas naturais (como o AIA) quanto sintéticas. Eles são utilizados para induzir o crescimento de partes ou o todo da planta.

Uso

Quando aplicado diretamente no rizoma, é absorvido e desencadeia processos de formação de calos, que são precursores na formação de raízes. É importante salientar novamente que doses excessivas podem acarretar em inibição da formação de raízes. O ideal é utilizar apenas no (re)plantio de suas orquídeas, ou seja, uma vez só, para dar aquele empurrão que a planta precisa.

Plantas bem adubadas e com substratos arejados não terão problemas de falta de raízes, então não se justifica a aplicação de estimulantes radiculares.

Receita

Existem algumas receitas por aí que usam uma quantidade bem grande de titirica para fazer a calda (do tipo 1 quilo de batatas para 1 litro de água). Como sei que não é fácil conseguir tanto material assim e a alta concentração pode ser prejudicial a planta, vamos fazer uma receita mais básica:

  1. Colha toda tiririca que conseguir (ou junte apenas uma porção generosa, se você tem bastante disponível);
  2. Lave bem e retire toda a terra, deixando apenas a planta;
  3. Junte as folhas e batatinhas no liquidificador e cubra todo material com água;
  4. Bata bem.

Esta calda poderá ser guardada em recipiente escuro, não transparente, pois o ácido indol-acético perde a sua propriedade se for exposto a luz, por até 20 dias.

Como utilizar

Você poderá banhar suas plantas com a calda. Alguns deixam por alguns minutos de molho na calda, outros apenas pulverizam. Fica ao seu critério. É possível, após alguns dias, repetir o processo.

Referências

  • greenme.com.br
  • bonsai.andretoledo.com.br
  • eventosufrpe.com.br
  • aprendendocomasorquideas.blogspot.com.br
  • comofazermudas.com.br
  • arbbis.com
  • mvlocatelli.blogspot.com.br

Abraços!

Por que minha orquídea não floresce novamente?

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Esta é uma questão fácil e que não demanda tantas explicações: como todas as plantas, as orquídeas precisam de luz suficiente para produzir flores.

A luz insuficiente é a causa mais comum da falta de flores nas orquídeas. Para saber se a luz é suficiente para sua planta, primeiro procure saber o nome dela. Sabendo o nome de sua orquídea, poderá procurar fontes confiáveis de informações e então entender seu cultivo, o que abrange a quantidade de luz que a orquídea necessita.

Em segundo lugar, outra forma fácil de tentar entender quanto de luz sua orquídea precisa é observando a cor da sua folha. Basicamente, a cor da folha é um forte indicador se a quantidade de luz é adequada para aquela determinada espécie. Claro que com espécies mais exóticas, em que as folhas já são diferentes por si só, isto não funcionará. Entretanto, a regra geral é que o verde escuro exuberante e rico da maioria das plantas de nossas casas não é desejável em folhas de orquídeas. Uma cor verde gramada (verde claro ou médio com tons amarelados) significa que a planta está recebendo luz suficiente para florescer.

Abraços

Devo cortar a haste floral quando a flor da orquídea acaba?

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Esta é sempre uma dúvida que aparece por aqui, principalmente quando posto muitas fotos de flores: é necessário cortar a haste floral quando a flor da orquídea acaba?

A resposta é simples: depende.

Phalaenopsis

De todas as orquídeas mais comuns disponíveis no mercado regular e não em coleções, apenas algumas Phalaenopsis irão florescer novamente a partir de sua antiga haste. Isto pode acontecer desde que você tenha um pouco de cuidado com a Phalaenopsis, ou seja, quando a última flor desbotar, você deve deixar o caule intacto. Entretanto, a haste mais antiga fica muito deselegante e as flores que vierem provavelmente ficarão menores.

Algumas pessoas acreditam que é melhor cortar o caule inteiramente na base de onde sai das folhas. Assim, ele florescerá novamente dentro de alguns meses. Você também pode cortar o caule deixando dois nós (aquelas pequenas linhas marrons no caule abaixo de onde as flores estavam) nele. Um desses nós brotará e produzirá flores dentro de oito a doze semanas. As plantas mais jovens ou mais fracas podem não brotar e alguns Phalaenopsis são geneticamente incapazes de ressurgir da espiga antiga, geralmente aqueles que florescem com pontas ramificadas.

Enfim, vale a pena tentar. Tenho poucos Phalaenopsis em casa, mas já aconteceu de novas floradas saírem de hastes antigas.

Outras espécies

Agora, se você tem orquídeas mais complexas ou raras, é bom ler a respeito de cada espécie para entender seu comportamento. Pode acontecer de termos novas floradas em hastes antigas em outras espécies sim, mas não são todas. Eu tenho algumas aqui em que isto acontece: Dracula, Masdevallia e Pleurothallis. Nestes casos, normalmente isto acontece nas minhas que vieram da região do Equador. Dois bons exemplos são as orquídeas abaixo:

Masdevallia princeps
Masdevallia princeps – várias flores por haste, em momentos diferentes

Dracula cordobae
Dracula cordobae – novamente, várias hastes por haste, sempre depois que a flor acaba outra vem em seguida.

Por fim, é sempre bom lembrar: orquídeas, assim como os animais, são suscetíveis a vírus. Por isso, ao que cortar um pedaço de uma orquídea, sempre use uma ferramenta estéril afim de evitar a propagação de vírus. Você poderá esterilizá-la com fogo ou qualquer outro produto para este fim.

Abraços

Adubação de orquídeas

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Substratos (4) – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral
Substratos (4) – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral

Estes dias me questionaram sobre a forma que adubo minhas plantas.

Confesso não ser uma pessoa muito metódica neste aspecto. Na verdade, comecei a adubá-las há cerca de 6 meses apenas, mais para dar uma força àquelas mais fracas do que para as outras, afinal, quase todas estão indo bem.

Hoje utilizo o Peters na concentração 20-20-20, fabricado pela Scotts. Fiquei entre o Peters e o Plant Prod, mas como obtive mais informações do Peters, resolvi ir no certo do que no duvidoso.

O Peters (e adubos equivalementes), a contrário dos NPK’s que são vendidos nas floriculturas em geral, é composto por mais que apenas o NPK. Nele há a adição de micronutrientes, tão importantes quanto os macronutrientes (NPK) para as orquídeas.

A composição do Peters é a seguinte:

  • nitrogênio (N) 20%
  • fosfato (P2O5) 20%
  • potássio solúvel (K2O) 20%
  • Magnésio (Mg) (Total) 0,05%
  • Boro (B) 0,0125%
  • Cobre (Cu) 0.0125%
  • Ferro (Fe) 0,0500%
  • Manganês (Mn) 0,0250%
  • Molibdênio (Mo) 0,0050%
  • Zinco (Zn) 0,0250%

Futuramente farei um post sobre a importância de cada um dos nutrientes acima, por hora é importante saber apenas que eles são importantes e que devem ser usados na quantidade certa. Aliás, até o pH da água deve ser corrigido para maximizar sua absorção, mas isso é outra história (post futuro). São muitos os fatores que interferem na adubação.

A quantidade que utilizo é cerca de 1/2 grama por litro. O recomendado pelo fabricante é o dobro disto, mas gosto de ter uma boa margem de segurança, afinal, adubo de menos não ocasiona problemas. Adubo em demasia pode matar a planta.

Para aplicação utilizo um pulverizador, daqueles de pressão manual. Ele possui oito litros, ou seja, com duas “garrafadas” (16 litros) consigo pulverizar todas as plantas do meu orquidário.

Tenho o costume de adubá-las à tardinha. Dou preferência para dias chuvosos, em que choveu bastante durante o dia, fazendo com que o substrato de todas esteja bem úmido e os estômatos das plantas estejam abertos. Caso a chuva natural não aconteça e esteja na hora de adubá-las, sempre as molho antes, até encharcar. Desta forma evito que o adubo concentre em uma parte do vaso ou em alguma folha, pois ele vai escorrer melhor. Além disto, a planta irá absorvê-lo melhor, visto que a rega prévia também irá abrir seus estômatos.

Lembro que em algumas plantas tenho usado o Superthrive como teste, conforme expliquei em outros posts. Mas isto é outra história.

Acho que o grande lance da adubação é que, se for pecar, que seja pela falta. Se você tem dúvidas, coloque menos. A planta não vai morrer por pouco adubo. Aliás, isto não vai fazer diferença, ela irá aproveitar da mesma forma. Entretanto, a superdosagem pode matá-la. Evite utilizar nas horas mais quentes do dia. Isto também pode prejudicá-las.

Enfim, a forma que tenho feito a adubação em casa tem me dado resultados interessantes. Mas é apenas a minha maneira. Conheço pessoas que fazem de formas diferentes e também obtém sucesso. Acho que vai de cada um.

Por fim, lembro que sou de Curitiba, a capital mais fria do Brasil. Aqui a umidade é alta e, exceto o verão, temos sempre um friozinho em algum momento do dia. As plantas demoram mais a secar e também demoram mais a precisar de água. Quem mora em uma região mais quente provavelmente terá que fazer de uma forma um pouquinho diferente, pelo menos no que diz respeito à hidratação da planta.

Acho que é isto, por enquanto.

Em breve devo escrever mais sobre este assunto.

Abraços!

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