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Substratos: cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral

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Substratos cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral

Há algum tempo quero escrever mais sobre este assunto, afinal, cultivar orquídeas “na pedra” parece uma ideia meio louca para muitos. Bom, não é.

Desde que comecei a me aprofundar no hobby tenho vontade de experimentar tal cultivo. O motivo: sempre notei que alguns dos vasos absurdamente floridos em exposições tinham uma característica diferente: o substrato continha brita. Não no fundo, mas como substrato mesmo, para a planta agarrar e se desenvolver.

Intrigado, fui atrás de mais informações além daquelas que postei aqui no orquideas.eco.br no post que fiz sobre substratos inertes (que você pode ler clicando aqui). Além disto, conversei com alguns orquidófilos responsáveis por orquidários comerciais e, pasmem, brita é o substrato deles.

Mas afinal, qual é a vantagem de você pegar sua Cattleya e plantá-la em um substrato assim?

Vantagens

Basicamente, se eu fosse resumir para você, diria que é um substrato eterno. Mas não é apenas isso. As pedras são, em sua maioria, materiais inertes. Em alguns casos, apresentam pouquíssima atividade química e biológica, o que ainda pode ser benéfico para algumas espécies. Material inorgânico, sem ou com pouquíssima presença de microporos, tornando-os substratos bem secos, mas ao mesmo tempo com certa capacidade de retenção de umidade pela adsorção da água em sua superfície, devido a sua rugosidade. Não se compacta e permitem a aderência, aeração e desenvolvimento das raízes.

Com este substrato não é necessário replante constante devido à decomposição do substrato. A planta cultivada na pedra só é replantada em dois casos: crescimento da planta para fora das bordas do vaso ou com o apodrecimento do próprio vaso. Além disto, os vasos plásticos diminuem a evaporação, retendo um pouco da umidade apesar das pedras. Por fim, este substrato permite que regas sem adubo limpem o substrato, retirando o excesso de minerais que se depositam em qualquer substrato e podem prejudicar a planta com o tempo. Além disto, a planta não ficará encharcada por muito tempo, pois a drenagem da brita é muito boa.

Desvantagens

A principal desvantagem deste tipo de substrato é o seu peso. Se você possui um orquidário com bancadas mais simples ou com lugares para pendurar plantas, é importante considerar que alguns vasos com este tipo de substrato vão fazer uma diferença considerável na sua estrutura. Entretanto, é possível resolver isto usando outros materiais junto com as pedras, como cascas e isopor.

Além disto, você precisará se acostumar com a nova frequência de regas que este substrato irá precisar, visto que possui uma secagem um pouco mais rápida.

Tipos

O tipo mais usado é a brita comum, daquelas de construção mesmo. A brita é um material inerte oriundo da moagem do granito e do gnaisse, rochas ígneas e metamórfica, respectivamente. É considerado por muitos o melhor tipo de pedra para ser usado como substrato.

Há também outros tipos de pedras inertes, como o seixo rolado de quartzo, a pedra de rio ou o pedrisco que sobra do peneirado de areia. Por fim, temos as pedras ricas em ferro, chamada pedra canga ou laterita. A pedra canga é uma pedra ferruginosa oriunda das regiões ricas em minério de ferro. Coincidentemente, estes locais abrigam as orquídeas do gênero Hoffmannseggella, antigas Laelias rupícolas. Elas vegetam neste tipo de rocha pois tem uma grande necessidade de ferro.

As britas oriunda de rochas calcárias não são indicadas para o cultivo, pois é uma rocha sedimentar de reação alcalina, fazendo com que o equilíbro do pH do substrato seja alterado e a planta tenha dificuldades em assimilar alguns nutrientes. Leia mais sobre o pH para as plantas clicando aqui!

Tamanhos

Existem vários tamanhos de brita, como mostrado a seguir:

  • pó de pedra – de 0 a 3 milímetros;
  • pedrisco – de 3 a 5 milímetros;
  • brita 0 – de 5 a 12 milímetros;
  • brita 1 – de 12 a 22 milímetros;
  • brita 2 – de 22 a 32 milímetros;
  • brita 3 – 32 a 62 milímetros;
  • brita 4 e 5 – de 62 a 100 milímetros.

Em geral, a brita 1 e a brita 0 são as mais usadas. Para raízes finas, como as do Dendrobium e Oncidium, o mais recomendado é a brita zero. Para as raízes mais grossas, a mais recomendada é a brita 1. Para qualquer outra entre estes tamanho, você poderá mesclar entre a brita 0 e brita 1.

Plantio

Toda brita deve ser lavada em água corrente para eliminar resíduos. Lembre-se que este tipo de material normalmente está em ambientes que também abrigam outros tipos de material de construção, como cimento e cal, que podem contaminar a brita e matar sua planta. O replantio pode ser feito considerando os passos descritos no meu artigo sobre replantio de orquídeas, que você pode ler clicando aqui.

Abaixo, um exemplo que funciona muito bem: meu amigo Durigan utiliza apenas brita com carvão em suas plantas. E crescem uma barbaridade…

orquideas.eco.br - Substratos cultivo de orquídeas em brita, seixos, cascalho, pedras em geral
Um exemplo, retirado do orquidário do meu amigo Durigan – brita com carvão
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Ele utiliza apenas isto para seus famosos híbridos
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E, como você pode ver, crescem muito bem!
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Tanto na fase adulta…
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…quanto ainda seedlings.

Referências

Abraços!

17 COMENTÁRIOS

    • Oi João.

      São rochas calcárias, seu efeito será o mesmo que descrevi no post. Aliás, li há muito tempo sobre mármore e lembro de ter visto que ele contém arsênico como contaminante… talvez não seja ideal usá-lo… bom, pelo menos eu não usaria!

      Por que não tenta brita com carvão?

      Abraços

  1. Estou pasma, adorei…não sabia nada de orquídeas, minha sogra era fanática por essas plantas. Ela faleceu o ano passado e eu herdei suas orquídeas… algumas começaram a ficar feias e comecei a pesquisa. Pretendo aplicar esse método, já que sou fanática por pedras, tenho como conseguir seixos rolados de todos os tamanhos, e… adorei …. daqui a alguns meses me comunico, para detalhar o desenvolvimento de minhas orquídeas….

    • Oi Lia

      Aconselho a visitar a seção de artigos em minha página e ler mais sobre o tema… estou sempre escrevendo sobre atualidades da orquidofilia!

      Aguardo ansiosamente seus resultados com as pedras!

      Abraços

  2. Para diminuir o peso, posso colocar qualquer lasca de árvore???? em frende de casa tem uma acho que se chama corão, tem muitas lascas soltas no tronco…

    • Lia

      Não conheço as propriedades desta casca, não saberia opinar. Lembre-se que as cascas são orgânicas e com o tempo apodrecerão, fazendo com que você precise trocar o substrato. Se você ir para a linha das pedras e do carvão, por exemplo, o substrato irá durar muito mais! Eu não arriscaria sem conhecer as propriedades da árvore e de sua casca!

      Abraços

    • Como disse, eu não arriscaria.

      Eu já uso casca de pinus aqui e estou abandonando justamente por achar que o tempo de deterioração não compensa o plantio. Estou preferindo substratos mais “eternos”.

      Abraços

    • Vâ, tudo bem?

      Então, essas pedrinhas são alcalinizantes, o pH do seu substrato será bem maior do que as orquídeas necessitam (levemente ácido). Eu sinceramente não usaria essas e sim alguma pedra mais neutra.

      Abraços

  3. Olá, moro em pleno sertão nordestino, amei as postagens e a brita e pedras então nem se fala…minhas orquideas estão realmente se adptando melhor que na fibra de coco. Vou tentar com as phal, pois não tenho tido sucesso no cultivo!

    • Oi Maria

      Que bom que gostou! Não gosto muito de fibra de coco, aqui não vão muito bem. As poucas Phals que tenho estão em troncos de aroeira, só assim para conseguir que permaneçam vivas aqui!

      Abração

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