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Micorriza e as orquídeas

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orquideas.eco.br - Micorriza e as orquídeas

Talvez voc√™ n√£o saiba, mas uma das maiores fam√≠lias do reino vegetal √© a Orchidaceae, com mais de 20.000 esp√©cies identificadas. A maioria destas esp√©cies est√£o distribu√≠das em regi√Ķes tropicais e subtropicais.

Esta diversidade √© mais surpreendente porque, em algum momento de seu ciclo de vida, todas as orqu√≠deas s√£o dependentes de fungos micorr√≠zicos. N√£o importa se elas s√£o clorofiladas ou sem clorofila no est√°gio adulto, todas as orqu√≠deas passam por uma fase em que elas n√£o realizam atividade fotossint√©tica e, portanto, dependem de fontes externas de nutrientes. Na grande maioria dos casos, √© apenas no est√°gio de pl√Ęntula (embri√£o vegetal j√° desenvolvido e ainda encerrado na semente) que elas s√£o obrigatoriamente micorr√≠zicas. Como as sementes de orqu√≠deas s√£o muito pequenas (cerca de 0,3-14 őľg por semente), elas cont√™m uma pequena reserva de nutrientes. Esta reserva restringe-se a pequenas quantidades de prote√≠na de alta energia e l√≠pidos. Entretanto, h√° muito pouco a√ß√ļcar. Algumas esp√©cies tamb√©m cont√™m pequenos gr√Ęnulos de amido.

Os fungos micorr√≠zicos podem fornecer os nutrientes e, particularmente, hidratos de carbono necess√°rios para fazer crescer uma orqu√≠dea. Na verdade, a maioria das sementes de orqu√≠deas n√£o germinar√£o a menos que tenham sido infectadas por um fungo apropriado. Isto foi um problema no in√≠cio do s√©culo 20 para os horticultores que tentavam propagar orqu√≠deas visando um mercado altamente lucrativo. Agora, sabe-se agora que muitas esp√©cies podem ser cultivadas em culturas puras (isto √©, sem a infec√ß√£o de micorriza) se a elas forem fornecidos com uma fonte ex√≥gena de a√ß√ļcar.

Os fungos micorr√≠zicos em orqu√≠deas s√£o do grupo Basidiomicelos, sendo normalmente da esp√©cie Rhizoctonia, com a qual muitas orqu√≠deas est√£o associadas. Algumas esp√©cies de Rhizoctonia s√£o conhecidas por formar associa√ß√Ķes ectomicorr√≠zicos, mas se esta √© uma ocorr√™ncia comum √© ainda desconhecido. Esta associa√ß√£o √© um relacionamento simbi√≥tico que ocorre entre o fungo e a raiz da planta. Talvez por isto alguns orquid√≥filos tenham medo de usar fungicidas em suas orqu√≠deas – e at√© canela (clique aqui para ler sobre a canela e as orqu√≠deas).

Como funciona

A infecção de uma semente da orquídea por fungos ocorre após o embrião absorver água e inchar, rompendo o revestimento da semente. O embrião emerge e produz alguns poucos pêlos radiculares, que as hifas colonizam rapidamente. Como as hifas penetram as células do embrião, a membrana plasmática das células da orquídea invaginam, e a hifa torna-se rodeada por uma camada fina de citoplasma. Um embrião de orquídea é composto por apenas algumas centenas de células e os fungos se espalham rapidamente a partir de uma célula para outra.

Dentro das c√©lulas, as hifas formam bobinas que aumentam consideravelmente a √°rea de contato entre a orqu√≠dea e os fungos chamadas pelotons. Cada peloton tem uma vida curta, durando apenas alguns dias. Ap√≥s este per√≠odo, ela se degenera e √© digerida pela c√©lula da orqu√≠dea. Na verdade, as hifas na orqu√≠dea tem um per√≠odo de vida curto tamb√©m: as hifas mais velhas desenvolvem grandes vac√ļolos e paredes celulares espessas, e o citoplasma se degenera. As c√©lulas das hifas eventualmente se separam e s√£o consumidas pelas c√©lulas da orqu√≠dea. Durante este processo, a c√©lula da planta continua funcional e pode ser recolonizada por qualquer hifas sobrevivente ou por outros fungos provenientes de c√©lulas adjacentes.

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Pelotons em uma orquídea: manchas em vermelho em uma micrografia de luz em tecido seccionado Р© Jim Deacon
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Micrografia eletr√īnica de varredura de pelotons orqu√≠deas – Smith & Read

A infecção por fungos micorrízicos não resulta necessariamente na germinação e crescimento de uma orquídea. Quando há a associação, três resultados são possíveis:

  • uma intera√ß√£o com as micorrizas, tal como descrito acima;
  • uma infec√ß√£o parasit√°ria, em que as c√©lulas da orqu√≠dea s√£o invadidas e o embri√£o morre;
  • as c√©lulas da orqu√≠dea rejeitam a infec√ß√£o f√ļngica.

Todas as tr√™s intera√ß√Ķes acima podem ocorrer em uma popula√ß√£o de protocormos, destacando a natureza relativamente inst√°vel da associa√ß√£o.

Uma infec√ß√£o f√ļngica de sucesso resulta na germina√ß√£o da semente da orqu√≠dea. O fungo pode ser a √ļnica fonte de nutri√ß√£o durante o primeiro ciclo de vida da orqu√≠dea. A partir da√≠, a maioria das esp√©cies de orqu√≠deas desenvolvem mol√©culas de clorofila em sua fase adulta e tornam-se menos dependentes da micorriza. No entanto, a maioria das orqu√≠deas ainda t√™m o fungo em suas ra√≠zes para absorver nitrog√™nio e f√≥sforo a partir do fungo. Ainda √© desconhecido se as orqu√≠deas induzem os fungos a transferir carbono para elas.

Em contrapartida, é sabido que cerca de 200 espécies de orquídeas permanecem sem clorofila ao longo das suas vidas. Espécies como Galeola, Gastrodia, Corallorhiza, Rhizanthella e muitas outras continuam a receber o carbono de seus fungos micorrízicos. Mesmo algumas espécies clorofiladas, como Cephalanthera rubra, passam vários anos no subsolo antes de produzir belíssimas floradas, ou seja, sobrevivendo através dos fungos micorrízicos.

Referências

Abraços!

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