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Substratos para orquídeas – Xaxim e sua proibição

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Xaxim
Xaxim

Desde que comecei neste hobby, grande parte da discussão acalorada parte do substrato, mais especificamente o xaxim.

Xaxim, segundo a Wikipedia, é um feto arborescente, da família das dicksoniáceas, nativo da Mata Atlântica e América Central (especialmente dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Possui cáudice ereto, cilíndrico, e frondes bipenadas de até 2 metros. Devido à extração desenfreada do cáudice para uso no cultivo de outras plantas, a espécie está ameaçada de extinção e sua extração está proibida em todo o Brasil. Também é conhecido pelos nomes de samambaiaçu e samambaiaçu-imperial.

Lembro-me do dia que postei em um forum a imagem de uma planta em uma placa de xaxim e algum espertinho resolveu encrencar com isto. Pronto, iniciou-se uma discussão em que nenhuma das partes teriam razão no final. Antes de mais nada: eu uso, não nego. Não compro, não extraio. Mas uso. Uso aquilo que tenho em casa há mais ou menos 30 anos. Havia alguns sacos com pedaços de xaxim guardados em casa e hoje tenho aproveitado para colocar algumas orquídeas neles.

Mas um dia meu estoque vai acabar, terei que procurar fontes alternativas de substratos e tutores para minhas plantas. E tenho testado alguns. Ainda não gostei de nenhum, para falar a verdade. Mas tenho testado. Por exemplo, não tenho planta que sobreviva em fibra de coco. Parece praga, é só colocar no coco que a planta definha. Acho que o xaxim me acostumou mal.

Antes de mais nada, precisamos entender porque a extração do xaxim está proibida. A Dicksonia sellowiana (xaxim) é uma planta de crescimento lento. Muito lento. Se você acha que suas orquídeas têm um crescimento lento, o xaxim é pior. O xaxim leva de 50 a 100 anos para atingir um metro de altura. Some isto ao fato que houve um período de extração desenfreada. Pronto, quase não há mais xaxim em nossas matas.

Hoje existem leis municipais e federais (Resolução CONAMA n.º 278 de 24 de maio de 2001) impedindo a extração de espécies ameaçadas de extinção. Aliás, existe uma lei internacional sobre isto, mas não vou me aprofundar em leis desta vez. A questão é que o xaxim, assim como outras espécies ameaçadas em nossa Mata Atlântica, estão protegidas por lei e precisamos pensar nas alternativas a isto.

Para procurarmos alternativas, temos que entender porque o xaxim é tão bom para as orquídeas. O xaxim retém uma quantidade ideal de água, nem muito nem pouca. É capaz de liberar lentamente nutrientes para as plantas. Facilita a fixação e a areação da raízes. Complicado bater uma coisa com tantas qualidades? Talvez não, é o que veremos daqui para frente nesta série de artigos sobre substratos.

Referências

  • mma.gov.br
  • auepaisagismo.com
  • wikipedia.org

Abraços!

Orquídeas do mato: o seu habitat natural

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Fiquei surpreso com algumas pessoas que comentaram que nunca tinham visto orquídeas no mato. Ok, isto não é problema algum. Antes de eu me interessar realmente pelas orquídeas elas passavam desapercebidas mesmo. Resolvi escrever um segundo post sobre este tema para mostrar um exemplo urbano, retirado hoje, ao lado de minha casa. Fora isto, vou escrever algumas palavras sobre algumas questões foram levantas no blog e no Facebook.

Antes de mais nada, vamos fazer uma incursão ao terreno ao lado de minha casa. O cenário é mais ou menos o seguinte: moro em Curitiba, perto da avenida de maior movimento da cidade. Entre nós está um pequeno córrego e um terreno com mata ainda nativa. Resumindo, é um pedaço de mata ao lado do maior fluxo de movimento automotivo da cidade. Aliás, agradeço a esta mata por estar aqui. Ela filtra quase todo ruído da avenida.

Vamos começar. Esta foto é do local. Na verdade, existem dois terrenos, um de cada lado da rua. Um grande, com quase 70 metros de frente, e este, com uns 15, que dá direto para o córrego. Vamos ver o que tem nele…

Local

Se vocês notarem, há uma planta no centro da foto, daquelas que usamos as folhas para brincar de espadas com os amigos quando crianças. Eis o que ela nos reserva:

Gomesa recurva

Gomesa recurva

Sim, Gomesas. Gomesa recurva, para ser preciso. Sempre depois da florada (final do ano), temos vários pontos com esta plantinha brotado. Outro exemplo? Este é no quintal de casa, em uma goiabeira:

Gomesa recurva

Entrando um pouco no mato, vemos as plantas mais antigas, provavelmente as mães destas pequenas mudas:

Gomesa recurva

Gomesa recurva

Gomesa recurva

Bacana, não?

E tem mais:

Eurystyles actinosophila

Eurystyles actinosophila

Campylocentrum aromaticum

Campylocentrum aromaticum

Campylocentrum aromaticum

Acianthera

Acianthera sp

Acianthera sonderana

Acianthera sonderana

Isto sem contar as outras que não achei… sei que ali tem uma muda de Barbosella, algumas Leptotes, Pleurobotryum… mas estas não achei para fotografar hoje. A mata está mais fechada e não rolou entrar muito (cobras, sabe como é).

Viram só, talvez prestando mais atenção todos nós podemos achar alguma coisinha bacana em meio ao mundaréu de concreto que vivemos. Imaginem só o que podemos achar nas matas nativas.

Agora atenção! O maior presente que podemos dar ao nosso planeta é preservar isto, não retirando nada do lugar, deixando a natureza fluir seu curso com o menor número possível de danos causados pelo homem. Acho que o maior barato disto é observar, fotografar, refletir. Existem muitos grupos de pessoas que apenas fotografam orquídeas, sabia? Por não poderem ter em casa, fotografam tudo que podem para ter uma lembrança. É só procurar, por exemplo, no Flickr.

Ok, após este momento de exposição, algumas questões que foram levantadas na discussão do post anterior e que valem um comentário:

Recolocação de plantas nas matas

Como disse no outro post sobre o assunto, é uma coisa que demanda cuidado. Repetindo minhas próprias palavras, a reintrodução de espécies exóticas (não nativas da região) pode causar sérios danos à flora local. Imaginem o cenário: você coloca em uma floresta um híbrido lindão. Nesta floresta existem Cattleyas ameaçadas de extinção. Seu híbrido começa a se desenvolver rapidamente, afinal, é um melhoramento genético das Cattleyas nativas. Talvez até daquela que está ali, ameaçada. Após alguns anos as duas espécies começam a competir por recursos e o híbrido é mais forte, se sobrepõe à espécie nativa. Pronto, fim da história, mais uma espécie extinta.

Sementes

Também vale o mesmo raciocínio que fiz no outro post. As orquídeas são plantas exigentes e especializadas e, consequentemente, sofrem com as interferências nas florestas primitivas. Elas possuem frutos em forma de cápsulas, capazes de armazenar, cada uma, até três milhões de sementes. As sementes não possuem reservas (endospermas) e só germinam ao encontrar ambiente propício. Assim, quando a cápsula explode, a matriz ‘aposta’ em muitas possibilidades, na expectativa de que pelo menos algumas caiam em um local ideal e uma nova planta germine. Vejam por exemplo os exemplos das Gomesas que coloquei acima. Se as sementes das Gomesas que tem ao lado de casa tivessem uma taxa de germinação levemente notável, as árvores aqui do lado teriam milhares de mudas. Não é o que acontece. Moro aqui há três anos e só vi até hoje estas pequenas que fotografei. Claro, há mais, mas não contem com uma população muito maior do que 10 ou 15 indivíduos.

Queimadas

Sim, perdemos muito com as queimadas. Uma pequena área queimada infelizmente elimina tudo da região. Mas também temos que lembrar que a natureza é sábia e, parafraseando Ian Malcolm no filme Jurassic Park, “a natureza sempre encontra um caminho“.

Orquídeas em troncos caídos

Aqui são dois pesos para a mesma moeda. Se o tronco estiver na mata, deixe a orquídea lá. Faz parte do ecossistema e da tal natureza. Ela sabe o que faz. Ali no chão ela estará encerrando seu ciclo, mas ainda poderá florir e semear a região. Já em troncos urbanos, em um lugar que não tem mais nada ao redor a não ser a selva de concreto, sinceramente não sei. Aqui em casa eu sei que posso deixar a orquídea no tronco caído, afinal, há a mata aqui do lado e o ciclo irá continuar. Mas se for, por exemplo, em uma casa onde não há muitas árvores, com muito movimento. Sinceramente, neste caso eu a pegaria para tratá-la melhor. Já é uma questão de dó e da pouca probabilidade da planta gerar descendentes. Mas, convenhamos, estes casos são quase nulos. Comigo só aconteceu uma vez, quando na casa de praia de um amigo ele resolveu tirar a única árvore de lá. Não tinha árvores por perto para amarrar novamente a orquídea. Trouxe para casa e ela está lindona aqui. Lá, iria ficar no tronco, seria recolhida pela prefeitura como lixo vegetal e iria acabar em um aterro soterrada.

Bom pessoal, se surgirem novos pontos sobre este tema, estarei postando novamente. Agradeço ao apoio de todos. O incentivo a este trabalho tem me dado muita energia para continuar!

Abraços!

Orquídeas do mato – as consequências da coleta ilegal

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Antes de começar, vale ressaltar que não sou santo em relação a isto. Bom, esta é a minha história…

Quando comecei a levar mais a sério o hobby, me deslumbrei com a possibilidade de coletar plantas nas matas e achar que com isto minha coleção iria ter várias espécies fantásticas, diferentes, raras, etc, etc e etc.

Ledo engano.

Com o tempo, percebi que plantas retiradas do mato são mais suscetíveis às doenças. São mais fracas, podendo perecer rapidamente. De raras e diferentes, descobri que na verdade são as mais comuns (claro, meio óbvio se pensarmos bem).

O pior não é isto. Com as orquídeas coletadas, toda minha coleção ficou vulnerável às doenças trazidas da mata. Afinal, meu ambiente controlado não combina com a variedade quase infinita de coisas que podem estar em uma simples mudinha coletada.

Não perdi minhas plantas, mas perdi várias coletadas. Compreendi que o que eu estava fazendo estava errado. E comecei a pesquisar sobre o assunto. São muitas as discussões sobre o extrativismo ilegal de nossas florestas. Existem muitos pontos a serem considerados dos dois lados desta moeda. Informação e educação são o melhor remédio.

Depois de algumas conversas no Facebook, decidi escrever aqui sobre o assunto. Leia com atenção e tire suas conclusões, comente, debata. É disto que precisamos.

Legislação

De acordo com a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, referenciada ao final deste artigo, extrair e comercializar espécies da nossa flora é crime, com pena e multa.

Existem alguns artigos nesta lei que gostaria de comentar – seção II – Crimes contra a flora.

  • Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais (…) produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, (…), e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento: Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta ou guarda (…) produtos de origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade competente.

Resumidamente, este artigo implica na ilegalidade do ato de comercializar produtos de origem vegetal (sim, orquídeas são produtos de origem vegetal) sem a devida licença. Ponto de atenção ao fato que o transporte e o armazenamento também é crime.

  • Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente: Pena – reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.

Precisa dizer algo? Ah, segundo o artigo 53 a pena aumenta se a planta for ameaçada.

Esta lei é muito interessante, deve ser lida por completo. Reclamamos muito de nossos políticos, o mínimo que podemos fazer é ler o que eles levam anos para votar, justamente para saber se corresponde àquilo que esperamos deles.

Na na ni na não!

Além de ser crime, acredito haver uma questão ideológica quanto ao fato de não retirarmos espécies nativas de uma floresta. Talvez até um sentimento de culpa meio disfarçado. O fato é que o ato de retirar uma planta, ou um pedaço dela, de um lugar, pode ocasionar uma série de “problemas” nos vários elos desta corrente.

Primeiramente, se todos nós retirássemos plantas da natureza, este extrativismo em massa resultaria na extinção das orquídeas. “Ah, Luis, que exagero!“. Vocês já assistiram o filme Bee Movie? É muito parecido com o que acontece nele. Vamos analisar desta forma:

Você retira em massa uma espécie de uma determinada região de floresta, com um ecossistema muito específico (o que não é difícil). Esta planta, por exemplo, realiza simbiose com algum animal que vive na região. Logo, este animal fica “órfão” de seu par simbiótico e parte para outra região. Outras plantas, que dependiam deste animal para sobreviver (alimentação ou reprodução), passam a definhar e morrer. E o ciclo continua, como um dominó. Varias espécies interdependentes acabam sofrendo por uma ação que, a princípio, parecia inofensiva.

Você seria capaz de dormir sabendo que um ecossistema inteiro entrou em colapso porque você foi egoísta?

A orquidofilia está intimamente associada à causa ecológica e todo cultivador de orquídeas deve ser, acima de tudo, um defensor do meio ambiente.

www.orquidofilos.com

Mas você foi egoísta e retirou aquela Pleuro-sabe-se-lá-o-que da mata e levou todo feliz e pimpão para casa. Afinal, era só uma mudinha, a planta continua lá.

Vamos aos fatos. Plantas nativas estão em condições completamente diferentes das nossas, enclausuradas em casa. Enquanto as nossas são bem tratadas, limpas e livres de pragas (pelo menos deveriam ser), as plantas nativas estão infestadas de fungos, bactérias, líquens, enfim, pragas em geral. Quando você corta uma muda na natureza 1) o restante da planta que permanece em seu habitat fica com uma porta escancarada para as pragas citadas acima e, consequentemente, doenças e 2) você leva todas estas pragas (estou repetitivo hoje) para casa, para infestar sua linda coleção de híbridos que nunca viram uma doença. Resultado, a planta que ficou, a muda que você trouxe e as que você já tinha em casa podem contrair doenças e morrer.

Ah Luis, mas lá tem um monte! Uma não vai fazer falta” – saiba que a coleta de orquídeas
selvagens nas matas é uma das principais ameaças de extinção de várias espécies, ao lado da perda derivada de desmatamentos.

Ah Luis, mas uma planta é capaz de dar milhares de sementes! Uma não vai fazer falta” – as orquídeas são plantas exigentes e especializadas e, consequentemente, sofrem com as interferências nas florestas primitivas. Elas possuem frutos em forma de cápsulas, capazes de armazenar, cada uma, até três milhões de sementes. As sementes não possuem reservas (endospermas) e só germinam ao encontrar ambiente propício. Assim, quando a cápsula explode, a matriz ‘aposta’ em muitas possibilidades, na expectativa de que pelo menos algumas caiam em um local ideal e uma nova planta germine.

Ah Luis, mas depois eu volto lá e coloco um monte de plantas no lugar! Uma não vai fazer falta” – grande perigo! A reintrodução de espécies exóticas (não nativas da região) pode causar sérios danos à flora local. Imaginem o cenário: você coloca em uma floresta um híbrido lindão. Nesta floresta existem Cattleyas ameaçadas de extinção. Seu híbrido começa a se desenvolver rapidamente, afinal, é um melhoramento genético das Cattleyas nativas. Talvez até daquela que está ali, ameaçada. Após alguns anos as duas espécies começam a competir por recursos e o híbrido é mais forte, se sobrepõe à espécie nativa. Pronto, fim da história, mais uma espécie extinta.

Exemplo? Procure no Wikipedia sobre o mexilhão-dourado, caramujo-gigante-africano, o coral-sol (suncoral), entre outros exemplos. Todos foram introduzidos em nosso ecossistema, prejudicando-o.

O outro lado da moeda

Claro que não posso deixar de comentar algo sobre as coletas benéficas. Mas prestem atenção: são feitas por especialistas, que utilizam o material biológico para preservar a espécie. Um pouco de história:

Desde 1928 o Orquidário do Estado trabalha com a preocupação de comprar plantas também de outras regiões do país para incrementar a coleção e salvar muitas da extinção. O orquidário possui 17 mil plantas registradas, de 700 espécies. A presença de tal diversidade está relacionada à manutenção dos últimos fragmentos de Mata Atlântica, Mata de Restinga e florestas estacionais. Lembrando um pouco das aulas de história, no começo do século passado grandes espaços florestais deram espaço às fazendas de café. O desmatamento em série motivou o naturalista Frederico Carlos Hoehne a criar um espaço para tentar preservá-las. Desde então, o Orquidário do Estado é o porto seguro de muitas espécies, salvando-as da extinção.

Aliás, talvez você não saiba. No site do IBAMA existe uma lista com as espécies ameaçadas. Espécies como Cattleya aclandiae, Cattleya nobilior, Cattleya walkeriana e vários Sophronitis praticamente foram dizimados de nossas florestas. E quando reaparecem…

Caso 1: Cattleya jongheana

Considerada extinta na natureza há mais de um século. Na década de 80 a espécie foi redescoberta na Serra do Itambé, em Minas Gerais, mas a coleta predatória a colocou de volta na lista de extinção. O lote de jongheana cultivado no Orquidário do Estado veio de uma apreensão do IBAMA, num flagrante de coleta ilegal realizada por orquidófilos. “Esse é o problema do orquidófilo e de quem cultiva”, comenta o chefe do Orquidário do Instituto de Botânica de São Paulo, Eduardo Luis Martins Catharino. “Ás vezes, eles não têm noção do estrago que uma grande coleta causa numa população natural. Eventualmente a planta tem uma distribuição geográfica tão restrita e se houver uma pressão em cima, acabou a espécie”.

Caso 2: Laelia alaori

Planta pequena e rara, descrita em 1986 por um funcionário do Orquidário de Piracicaba, no interior paulista. Mal descoberta, numa coleta no Sul da Bahia, logo foi dada como extinta. Há pouco tempo, redescobriu-se uma população natural da espécie em Minas Gerais e para lá correram os cultivadores do Espírito Santo, que a estão extraindo aos milhares. A espécie voltou à lista de ameaçadas de extinção, devido à coleta indiscriminada.

O que fazer?

Simples, consciência, meu amigo.

Só com o combate ao desmatamento, fiscalização à coleta predatória e as campanhas de educação ambiental, conseguiremos conservar.

Fábio de Barros, especialista em taxonomia de Orchidaceae e pesquisador do Instituto de Botânica de SP.

Compre plantas de viveiros idôneos, conhecidos. Evite o comércio das plantas retiradas da natureza, vendidas na beira de estradas ou em feiras livres. Geralmente, estas apresentam manchas na folhas e não estão enraizadas nos vasos, mas amarradas em galhos e tocos e xaxins. Acha que não vai saber diferenciar uma da outra? O IBAMA publicou um artigo que visa ajudar quem quer entrar nesta corrente do bem a evitar orquídeas do mato. Traduzido do título original Pictorial Guide – Differentiation of wild collected and artificially propagation of orchids, este documento mostra de forma abrangente como identificar plantas coletadas e plantas legalmente reproduzidas em laboratório. Se você procurar no Google por este nome irá achá-lo facilmente. Para ajudar, eis um resumo:

Plantas coletadas

Muitas raízes crescendo na mesma direção; muitas raízes mortas e com pedaços de casca de árvore; ponta das raízes frequentemente danificadas; número desequilibrado de folhas e raízes; cápsulas de sementes presas às plantas; as folhas são sujas e geralmente não apresentam aspecto saudável, por causa de líquens e por estarem desidratadas e/ou contaminadas por fungos; muitos pseudobulbos mortos e outros sem as folhas ou danificados.

Plantas de laboratório

Raízes crescendo de acordo com o formato do vaso; resíduos do material de propagação; quantidade equilibrada de folhas e raízes; ausência de bainhas secas; folhas e raízes saudáveis; plantas com formato e tamanho uniformes; flores com cores vivas.

Bom, por enquanto é isto. Leia e reflita, valerá mesmo retirar aquela mudinha da mata ou gastar um pouco a mais em uma muda forte, saudável e legal?

Pense bem.

Referências

  • planalto.gov.br
  • ibama.gov.br
  • orquidofilos.com
  • terradagente.com.br
  • wikipedia.org
  • saopaulo.sp.gov.br

Abraços!

Polinizadores de orquídeas – abelhas

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Dando continuidade ao post de ontem, vou apresentar minhas grandes amigas na árdua tarefa da geração de sementes: abelhas.

Neste caso, a Tetragonisca angustula. O quê? Ok, em miúdos, a abelhinha jataí. Sem ferrão, sociável e de mel muito saboroso, tento mantê-las perto do meu orquidário para que haja mútuo aproveitamento: a abelha produzindo mel e as orquídeas produzindo sementes.

Como disse ontem, em breve detalharei mais sobre este assunto. No momento estou apenas jogando o assunto no ar para que todos pensem e reflitam.

Eis um videozinho das minhas meninas trabalhando (full hd):

Abraços!

Cápsulas e sementes de orquídeas

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Sementes de orquídeas? Mas todos pensamos sempre nas flores quando pensamos em orquídeas, certo?

Errado.

Comercialmente, muitos pensam naquilo que vem depois das flores, ou seja, os frutos. Neste caso, cápsulas que contém centenas de sementes microscópicas, prontas para serem levadas pelo vento e iniciarem a aventura da vida.

Há uma questão muito forte de hibridização também, afinal, é gerando estas sementes depois de uma mistureba de espécies que temos híbridos tão belos.

Enfim, é a continuação da vida, de uma forma ou de outra. Aliás, nem sempre significa que planta está bem, pode significar seu último suspiro, tentando a sobrevivência… mais escreverei mais depois que acertar tudo no novo blog. Estou preparando um artigo bacana sobre sementes e agentes polinizadores. Aliás, no próximo post vou colocar uns vídeos dos meus.

É importante você saber mais sobre sementes (e como não ser engano caso queira lidar com elas). Clique aqui e leia mais!

Se quiser saber mais sobre o processo que vai da semente até a flor, clique aqui!

Por fim, se quiser saber mais sobre o tempo de maturação destas cápsulas, clique aqui!

Abraços!

Camuflagem e as orquídeas – Bifrenaria aureofulva

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Fotografei há pouco minha Bifrenaria aureofulva e, ao “revelar” as fotos, notei uma coisa muito interessante: camuflagem!

Olhe atentamente a imagem. Se for necessário, clique na mesma que ela abrirá em um tamanho maior.

Bifrenaria aureofulva

Você, amigo deste blog, consegue achar o pulgão nesta flor?

E se eu disser que há vários ali?

A Mãe Natureza é fantástica, não?

Abraços!

Rotuladora – minha solução para etiquetar orquídeas

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Rotuladora? Pois é, o fato é que cansei de escrever nas plaquinhas e depois de um tempo perder tudo.

Tenho algumas plantas no orquidário que, como são jovens, não faço ideia de quem são. Nomes? Tinham sim, mas o tempo se encarregou de mandar tudo para o espaço.

Não adianta você me dizer que caneta, lápis, o que for, aguenta o passar do tempo. Não.

Pensei bastante e resolvi modernizar a brincadeira aqui em casa. Comprei uma rotuladora e mandei ver nas etiquetas. Após os testes e agora o uso contínuo, só posso dizer que estou satisfeito. Não preciso traduzir minha letra e sempre o nome e o código da planta estão perfeitamente visíveis quando preciso.

Recomendo para quem quiser investir um pouco em sua coleção. Ela grava a fita como se fosse uma tatuagem, não é tinta. Não sai com o Sol, chuva, nem nada. Tem fitas de várias cores e tamanhos (na época destas fotos utilizava fita branca, hoje utilizo transparente, já que minhas etiquetas são coloridas). E não é caro, para etiquetas de plantas rende um monte…

Abraços

Quantidade vs qualidade de orquídeas

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Normalmente quem entra no mundo da orquidofilia deseja ter uma grande coleção, contando com várias plantas florescendo o ano inteiro. Muitas vezes temos plantas que não nos atraem muito, motivados apenas pela quantidade. No começo eu pensava mais ou menos assim. Depois de um tempo, percebi o grande erro que isto implica: principalmente no começo, não temos conhecimento para cuidar corretamente de todas e perdemos muitas plantas no caminho.

Quantidade

Por que estou tocando neste assunto? Quando comecei a levar mais a sério este hobby, comprei orquídeas de todos os lugares. Não me importava muito qual, lá estava eu comprando mais plantas. Em casa ainda não tinha construído meu orquidário, então eu as colocava no quintal sob as árvores e em pequenos bancos de madeira. Acredito que perdi algumas mudas ali, e até hoje não sei quais. Não tinha um controle sobre o que entrava em casa e muitas plantas nem o nome eu sabia. De certa forma, me frustra um pouco pois lembro que haviam plantas muito bonitas que acabaram sucumbindo ao meu descaso inicial.

Qualidade

Hoje procuro classificar melhor o que quero ou não, pois admito que não sou fã de todas as espécies que existem. Além disto, procuro manter um registro fotográfico e textual de tudo que envolve cada espécie que tenho. É um trabalho árduo, porém compensador. Tendo um conhecimento melhor sobre nossas espécies podemos prover um melhor habitat para cada uma delas. Tenha isto sempre em mente, quantidade não é tudo. Uma coleção de 10 plantas bem cuidadas e organizadas pode ser muito mais interessante do que uma de 100 plantas largadas em um canto. Com o orquidário construído, muitas espécies encontraram um cantinho legal para se desenvolver, proporcionando uma variação interessante de condições para aquelas mais chatinhas. Claro que há muito o que melhorar, mas ter um lugar específico já é um grande passo. Isto ajuda a controlar doenças, nutri-las melhor e assim ter uma coleção mais sadia e de qualidade!

Tenha sempre em mente que a orquídea não deve apenas sobreviver com você. Ela deve desenvolver-se sadiamente.

Abraços!

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