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Como começar a cultivar orquídeas

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Pleurothallis purpureoviolacea

Muitas vezes me deparo com pessoas que tem dificuldades ao cultivar orquídeas e acabam desistindo por isso. Outras se conformam que vão matar as plantas e fazem isso sem ao menos tentar buscar conhecimento para tentar evoluir, e isso é muito triste.

Quando comecei na orquidofilia matei inúmeras orquídeas. As causas eram várias: ambiente inadequado, cultivo incorreto, rega equivocada, adubação ineficiente e por aí vai. Mas eu tinha muita dó das plantas e isso me fez buscar conhecimento. Comprei livros, li muito sobre o assunto, conversei com pessoas com mais experiência, tentei até participar da associação da região – que infelizmente não deu certo até agora pois a diretoria lá é amadora, para não dizer outra coisa.

Busque sempre conhecimento. Isso faz você entender o que pode ou não ser feito e quais limitações você ter, seja de ambiente, espaço, região, clima, ou qualquer outro fator que possa influenciar no seu cultivo.

Dito isso, se você está disposto a começar, é bom entender alguns aspectos básicos que podem ajudá-lo a ter sucesso mais rapidamente. Antes de mais nada, saiba qual orquídea você está tentando cultivar. Sabendo seu gênero e espécie você poderá pesquisar sobre a planta e saber mais sobre suas necessidades de luz, água, substrato, nutrição, ventilação e temperatura.

Luz

A luz é fundamental para o crescimento correto de sua orquídea. Você poderá ter plantas lindas, mas que nunca florescem. Isso pode ser justificado pela ausência de luz. Não é porque as orquídeas vivem em florestas que elas não precisam de luz. É justamente o contrário: as orquídeas evoluíram como epífitas para aproveitar a maior quantidade de luz disponível na floresta alta.

Mas quanta luz é o suficiente? Depende muito de cada espécie, por isso é bom saber que planta você está cultivando. Muitos se baseiam na quantidade suficiente para ter a planta sem que ela se queime. Você pode fazer isso de outra forma, testando quantidade de luz até que a folha da orquídea apresente uma colocação correta. Em resumo, as orquídeas não devem ter folhagens verde-escura e exuberantes. Se cultivadas sob luz suficiente, terão uma folhagem mais clara, um pouco verde-amarelada e um forte crescimento vertical.

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Já falei isso algumas vezes aqui no site: as raízes são a parte mais importante da orquídea. Por esta razão, ventilá-las é fundamental. Orquídeas sem raízes arejadas, salvo algumas variedades terrestres, morrerão facilmente. Aliás, a planta toda é sensível ao fato de não haver ventilação suficiente no local, portanto, tenha sempre em mente que a orquídea não poderá estar em um local totalmente fechado, sem circulação de ar. Na pior das hipóteses, pequenos ventiladores podem ser utilizados para isso, se o ambiente não for propício. Muitos orquidófilos de regiões extremamente frias utilizam este tipo de artifício para poder ter determinadas espécies. Lembre-se sempre de a orquídea precisa de ar e umidade suficiente para suas necessidades.

Água

É muito mais fácil você matar uma orquídea afogada do que de sede. Este talvez seja o motivo pelo qual mais se mata orquídeas: o excesso de água. Uma orquídea irrigada em excesso terá suas raízes comprometidas e, consequentemente, a planta toda será afetada. Infelizmente, não há uma regra para regar suas orquídeas, visto que cada pessoa possui uma quantidade e uma variedade diferente de espécies, mantidas muitas vezes em ambientes totalmente diferentes (leia-se quantidade de ar e iluminação disponível, além da temperatura), cultivadas em vasos e substratos diferenciados. Como estabelecer um padrão desta forma? Infelizmente não tem como, tudo dependerá da sua percepção. Na pior das hipóteses, um dedo inserido na mistura de envasamento pode ser a melhor ferramenta para determinar o quão seca sua planta está.

Ao regá-las, de vez em quando faça-o copiosamente. Já falei sobre isto em outro artigo aqui no site, mas não custa lembrar: dê um bom banho em sua planta e vaso. Desta forma, além de suprir sua necessidade de água, você estará eliminando os sais que ali se acumulam, principalmente os provenientes da adubação. Ou seja, é bom fazer isso periodicamente.

Fertilizante

As orquídeas crescerão e florescerão, desde que suas outras exigências sejam atendidas, por períodos razoavelmente longos sem fertilizantes. Porém, você obterá melhores resultados com algum nível de alimentação para sua planta. Normalmente, as plantas são fertilizadas uma vez por semana durante o verão e a cada duas semanas no outono e inverno. Independentemente do fertilizante que você escolheu usar, os produtores mais experientes não usam mais que ½ da dosagem recomendada pelo rótulo. Ah, e a propósito, é melhor regar primeiro para molhar o substrato antes de fertilizar, como já falei em outro artigo aqui do site.

Os fertilizantes usados ​​em orquídeas devem conter pouca ou nenhuma uréia. Isso ocorre porque os organismos do solo devem primeiro converter o nitrogênio na uréia em uma forma utilizável pelas plantas e, como as orquídeas não crescem no solo, essa conversão não ocorre de forma eficiente.

8 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia, adoro seus artigos; como você diz: ” Conhecimento é tudo ” tenho colocado em prática o quê aprendo e não me arrependo, gratidão, Feliz Semana!

  2. Eu fico muito triste, quando as minhas orquídeas, ficam com as folhas enrugadas. O que será? Por favor me respondam. Tenho uma orquídea que começou a dar o espigão com botõezinhos pequeninos e de repente, os botões deixaram de crescer e caíram do pé. O que foi? Tenho muitas duvidas sobre o substrato. Dizem, carvão, pinho e uma boa drenagem. É isso que faço em todas. Será que está mesmo bem? Adubo, pó de café usado e sequinho, casca de ovo batida no liquidificador, vira pó, e casca de banana seca ao sol, cortada e em pó. Será que está bem. Água, no verão de 8 em 8 dias, no inverno (Portugal), de mês em mês e pulverizá-las de vez enquando. Está bem assim? Por favor me ajudem pois que adoro orquídeas. Agora tenho só 22. Muito obrigada por uma resposta. Abraços

  3. Oi Renato

    O site está bem mais rápido mesmo 🙂

    Sobre a rega, o que você acha de usar um lápis para verificar se o substrato está úmido, você acha que é um bom meio para verificar se já está na hora de regar a orquídea?

    E quanto a adubação, eu ainda não entendo muito sobre o assunto, na verdade até hoje só ouvi falar dos adubos químicos do tipo NPK, você recomenda algum outro tipo de adubo?

    • Oi Thiago

      Tirei um tempinho para analisar como ele estava e desativei algumas coisas, além de configurar o servidor com alguns novos parâmetros.

      A técnica do lápis é utilizada por muita gente e é válida sim, pode usar sem problemas.

      Sobre a fertilização, eu utilizo adubos mais completos, não apenas com NPK. Muitos utilizam o Peters, inclusive eu, quando comecei a coleção. Hoje eu estou apostando em um nacional chamado Orquídeas B&G, completo com micro e macro nutrientes, inclusive cálcio. Tenho gostado bastante.

      Abraços!

  4. Estou com dúvida, não quero exagerar na quantidade de adubo, tenho utilizado 20-20-20 há cada 15 dias e crescimento para as jovens e floração para as plantas adultas 1 vez ao mês, comecei o estresse hídrico para dendrobium, (acho um horror ), tenho Oncidium mas não sei se é válido para esta espécie, seguir como o restante para floração, pode me ajudar?

    • Sílvia, nunca me apeguei muito a essas coisas como estresse hídrico pois aqui as condições naturais do ambiente já favorecem os dendrobiuns. E nunca deixei de irrigar os especiais que tenho no orquidário, e todos florescem mesmo assim. Acho que deve variar muito de clima para clima.

      Sobre o adubo, preciso saber qual vc está usando. Se for apenas 20 20 20, acho muito pouco. Se tiver micro e macro nutrientes, quinzenalmente está ótimo, apesar que eu faria meia dosagem e semanalmente, para que as plantas aproveitassem mais o adubo.

      Abraços

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