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Adubação de orquídeas – o que são macronutrientes e micronutrientes

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Estes dias comentei com vocês como eu realizava a adubação de minhas plantas. Agora é hora de falar sobre os nutrientes propriamente ditos.

Este é um tema muito abrangente. Existem variáveis a serem consideradas que demandam dias de pesquisa e muito cuidado na escrita. Um exemplo disto é como o pH da água influencia a absorção de cada nutriente pela planta. Antes de chegarmos neste ponto, acho válido escrever um pouco sobre a importância de cada nutriente para a orquídea.

Antes de mais nada, vale lembrar que temos os seguintes macronutrientes e micronutrientes:

  • Macronutrientes – nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S);
  • Micronutrientes – boro (B), cloro (Cl), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), cobre (Cu) e zinco (Zn).

De certa forma, é difícil determinar o papel de cada nutriente em uma determinada planta. Primeiro, existem coleções com milhares de plantas, cada uma com características próprias e diferentes daquela do vaso ao lado. Depois, cada elemento pode desempenhar mais de um papel para a fisiologia da planta.

Tomando como base o mais conhecido, o nitrogênio, sabemos que ele é indispensável para a síntese de proteínas. Contudo, ele também é um constituinte de fosfolipídios, de algumas vitaminas e da clorofila. Ou seja, várias funções para o mesmo nutriente. Com o agravante que não basta o nitrogênio estar ali, é necessário condições para que todos os papéis sejam realizados a contento, como a qualidade da água, quantidade e tempo de iluminação, entre outros.

Como vocês podem ver, este assunto é muito mais complexo do que apenas colocar água no regador, dosar uma medida de adubo e simplesmente regá-las.

O conhecimento dos elementos utilizados e sua função torna-se primordial para aqueles que desejam ter coleções mais vigorosas e sucesso no cultivo.

Aqui vai um resumo de cada nutriente e suas funções:

Macronutrientes

  • Nitrogênio – O nitrato (N03) é a forma de nitrogênio predominantemente absorvida pela planta nas condições naturais. O nitrogênio é importante no metabolismo de compostos como aminoácidos e proteínas, amidas, amino açúcares , purinas, pirimidinas e alcaloides. Excetuando-se a água, nenhuma outra deficiência é tão dramática nos seus efeitos para a planta, quanto a de nitrogênio. A clorose geral e o estiolamento são os sintomas mais característicos da deficiência de nitrogênio na planta. O crescimento é atrasado e lento e as plantas têm aparência raquítica. O fruto é freqüentemente muito colorido. As partes mais maduras da planta são as primeiras a ser afetadas porque o nitrogênio é translocado das regiões mais velhas para as mais novas em crescimento. Por outro lado, um excesso de N no meio (solo ou solução nutritiva) faz com que a planta vegete muito, produza poucos frutos ou sementes e armazene menos carboidratos. Para complementar o que é fornecido pelo solo em quantidade insuficiente recorre-se aos fertilizantes nitrogenados; entre os naturais estão os estercos e tortas e as próprias plantas (adubo verde); entre os adubos produzidos pelo homem aparecem os amoniacais (sulfato de amônio), os nitratos (de sódio, de cálcio, de potássio) os nítrico-amoniacais (nitrato de amônio) e os amídicos (ureia).
  • Enxofre – Nas condições naturais de solo é absorvido pelas raízes predominantemente como So4 2-; as plantas podem, porém, absorver também S orgânico de aminoácidos, S02 (gasoso) pelas folhas e até mesmo enxofre elementar (como S “molhável” finamente dividido) e também pelas folhas e frutos. Além de fazer parte de alguns aminoácidos e de todas as proteínas vegetais, o S desempenha outras funções: como é ativador enzimático, como SH é grupo ativo de enzimas e de coenzimas (ácido lipólico, tiamina, biotina) na fotossíntese participa da síntese da clorofila, da absorção de C02 , da atividade da carboxilase e de ribulose -2P e de reações de fosforilação; é essencial ainda no processo de fixação do N2 pelas leguminosas nodulares.
  • Fósforo – Os papéis fundamentais do P na vida da planta são a sua participação nos chamados compostos ricos de energia, de que é exemplo mais comum o trio-fosfato de adenosina, ATP, produzido nas fosforilações oxidativas e fotossintéticas e, em menor grau, nas que se dão ao nível de substrato. O ATP, participa das reações de síntese e desdobramento de carboidratos (inclusive do amido), de síntese de proteínas, de síntese e desdobramento de óleos e gorduras, do trabalho mecânico, da absorção salina. Assim como o N, o fósforo se redistribui facilmente na planta, em particular quando sobrevêm a sua falta; as folhas mais velhas das plantas carentes em P mostram a princípio uma coloração verde-azulada, podendo ocorrer tonalidades roxas nelas e no caule. O fósforo é o elemento que mais limita a produção das culturas. O crescimento é reduzido e, em condições de deficiência severa, as plantas ficam anãs. Os principais fertilizantes fosfatados comerciais são os “superfosfatos” , fosfatos de amônio e nitro fosfatos. Os fertilizantes também são obtidos pela extração de rochas fosfáticas e de depósito espessos de guano (fezes de aves marinhas, ricas em fósforo, derivado do peixe da qual se alimenta).
  • Potássio – O K é absorvido da solução do solo como K+ e é conduzido pela corrente transpiratória. Cerca de meia centena de enzimas são ativadas pelo K, algumas delas especificamente. O K participa em fases diversas do metabolismo: reações de fosforilação, síntese de carboidratos, respiração, síntese de proteínas. Além disso o nível de K nas células-guardas regula a abertura e o fechamento do estômato.A carência de K, prejudica o transporte de carboidrato da folha para outros órgãos da planta. A alta concentração de K nos tecidos de plantas terrestres se explica em parte pelo seu papel na regulação da viscosidade do citoplasma e pela sua baixa afinidade por ligantes orgânicos. Os sintomas de carência de K se manifesta primeiramente nas folhas mais velhas como clorose e depois necrose das pontas e das margens. O crescimento é abaixo do normal e em condições severas os ramos terminais e laterais podem morrer.
  • Cálcio – É absorvido do solo como Ca 2+. O cálcio faz parte da lamela média e ativa diversas enzimas.
    Desempenha outros papéis como: regulação da permeabilidade da membrana citoplasmática, neutralização de ácidos tóxicos, desenvolvimento e funcionamento de raízes, germinação do grão de pólen e desenvolvimento do tubo polínico. O transporte do cálcio no xilema está sobre controle metabólico e no floema é praticamente imóvel, em conseqüência, quando há falta desse elemento, as regiões de crescimento (gemas, ápice de raízes) são as primeiras a ser afetadas. As folhas mais novas mostram clorose e as gemas podem morrer. Em pH ácido o cálcio aparece em baixos teores no solo, elevando-se o pH e conseqüentemente neutralizando-se a acidez, aumenta-se a saturação em cálcio do solo.
  • Magnésio – É absorvido do solo como Mg 2+. Altas concentrações de K+ no substrato (solo ou solução nutritiva) inibem competitivamente a absorção do magnésio a ponto de causar deficiência. Por outro lado, p Mg é essencial para a absorção do P. Além de fazer parte da clorofila o Mg é ativador de enzimas que são “ativadoras de aminoácidos” , que catalisam o primeiro passo da síntese proteica  Diferente do cálcio o Mg é facilmente translocado no floema para regiões novas de crescimento ativo. Como conseqüência é nas folhas mais maduras que os sintomas de deficiência primeiro aparecem sob a forma de clorose.

Micronutrientes

  • Boro – Até hoje não se conseguiu isolar um composto sequer vital para a planta que contenha boro (B); do mesmo modo não se conseguiu identificar nenhuma reação crucial para o metabolismo que somente ocorra na presença deste elemento. Mesmo assim, o boro, pertence a lista dos elementos essenciais, por satisfazer o critério indireto de essencialidade. Na ausência do boro, os pontos de crescimento são afetados e podem morrer. Os tecidos parecem duros, secos e quebradiços. As folhas podem tornar-se deformadas e o caule rachado. O florescimento é afetado severamente e quando ocorre a frutificação estes freqüentemente apresentam sintomas semelhantes aos encontrados no caule. O B é essencial para a formação da parede celular, para a divisão e aumento no tamanho das células, para o funcionamento da membrana citoplasmática. A presença do boro facilita, ainda,o transporte dos carboidratos. Da mesma forma que o Ca é praticamente imóvel no floema e por isso quando há deficiência a gema terminal morre e as folhas mais novas se mostram menores, amareladas e muitas vezes deformadas. A matéria orgânica constitui a fonte imediata de boro para as plantas, libertando o elemento no processo de sua mineralização.
  • Cloro – O Cl não entra na constituição de nenhum composto orgânico tido como essencial. É necessário para a fotólise da água. Os sintomas de sua deficiência causa murchamento, bronzeamento e necrose em folhas de muitas espécies, tendo sido pela primeira vez demonstrado os sintomas de sua de sua deficiência em plantas de tomate. Não se conhece no campo a ocorrência da falta de cloro, o que, pelo menos em parte, é devido à precipitação do “sal cíclico”, isto é, cloreto de sódio que o vento traz do mar e a chuva deposita no solo em quantidade suficiente para atender as necessidades da planta.
  • Cobre – É absorvido como Cu +2. Não é redistribuído apreciavelmente pelo floema e por isso os sintomas de carência se mostram primeiramente nas folhas novas: murchamento, cor verde-azulada, deformação do limbo e depois clorose e necrose em manchas irregulares. É ativador de enzimas de óxido-redução que oxidam fenóis e que participam do transporte de elétrons na respiração e fotossíntese. Tem participação indireta na fixação do N2.
  • Ferro – As plantas absorvem o ferro do solo na forma bivalente, Fe +2. No xilema o Fe encontra-se principalmente como quelato do ácido cítrico. Não se distribui pelo floema: o sintoma típico de falta de ferro é uma clorose das folhas novas cujas nervuras formam uma rede fina é verde contra o fundo verde-amarelado do limbo.
    Além de ser componente estrutural de citocromos o ferro ativa enzimas ou faz parte de coenzimas que entram em reações as mais diversas da planta: formação da clorofila, transporte eletrônico na fotossíntese, fixação do N2, desdobramento da H2O e síntese proteica.
  • Manganês – Além de ativar enzimas muito diversas, o manganês participa do transporte eletrônico na fotossíntese e é essencial para a formação da clorofila e para a formação, multiplicação e funcionamento dos cloroplastos.
  • Molibdênio – É o micronutriente menos abundante no solo e que na planta aparece em menor concentração. O molibdênio está diretamente ligado ao metabolismo do N. A carência de molibdênio se manifesta como amarelecimento das folhas seguido do enrolamento do limbo.
  • Zinco – O zinco é necessário para a síntese de triptofana que depois de várias reações, produz o ácido indolilacético (AIA), além disso o zinco regula a atividade da ribonuclease que hidrolisando o RNA, causa diminuição na síntese proteica  A carência de zinco provoca o encurtamento dos nós em algumas plantas. O florescimento e a frutificação podem ser muito reduzidos e a planta inteira pode se tornar anã e deformada.

Claro que existem outros elementos a serem considerados nesta salada da tabela periódica. Da mesma forma, algumas plantas podem não necessitar de um ou mais elementos já listados acima.

Um exemplo disto é o sódio, normalmente não exigido por plantas verdes, mas extremamente necessário para certas plantas halófitas (terrestres adaptadas a viver perto do mar).

Em um outro exemplo, o selênio é geralmente tóxico as plantas. Entretanto, certas plantas em solos ricos nesse elemento, não somente acumulam e toleram altas concentrações mas podem até ter uma certa necessidade dele.

Como podemos notar, cada planta tem sua necessidade. Muitos orquidófilos não costumam adubar suas plantas e elas estão lindas. Eu mesmo não o fazia até pouco tempo atrás. Mas depois que comecei a fornecer estes elementos a elas, notei uma grande melhora em sua fisiologia e também nas floradas.

Cabe a cada um decidir a melhor forma de conduzir sua coleção.

Nos próximos textos sobre adubação, irei comentar a influencia do cloro presente na água quando irrigamos nossas plantas e em que o pH influencia neste processo.

Referência

Abraços!

4 COMENTÁRIOS

  1. Existe adubo somente com micronutrientes?
    Eu apenas achei adubo com os macronutrientes, (NPK), gostaria de comprar adubo somente com os micronutrientes.
    agradeço

    Marco

    • Oi Marco

      Até existe. Conheço alguns, mas voltados para o aquarismo. Provavelmente as dosagens são diferentes daquelas que utilizamos em adubos para orquídeas, por exemplo. Até utilizo um em meus tanques, chamado Seachem Flourish Trace.

      Por que gostaria de um apenas com micronutrientes?

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