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Substratos para orquídeas – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral

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Substratos (4) – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral
Substratos (4) – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral
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Pessoal, dando continuidade aos posts sobre substratos, é hora de falar um pouco sobre este mundaréu de madeiras e cascas disponíveis por aí.

Este é um tipo de substrato e/ou suporte para fixação da planta que aprecio muito. Muitas das minhas orquídeas estão em tocos de madeiras. Mas engana-se quem pensa que toda madeira é propícia para elas. Um bom exemplo a própria Mãe Natureza nos ensina. Bom, deixe-me explicar.

Vou tomar como exemplo alguns passeios que fiz no último final de semana, para o litoral do Paraná e ao Zoológico de Curitiba. Como de praxe, vou observando as orquídeas nas árvores. Virou um costume, um vício, quase uma obsessão: achar orquídeas e fotografá-las em seu habitat. Chega a ser engraçado estar no Zoo e olhar mais para as árvores do que para os animais. Este costume, estranho para alguns, me ensinou que determinadas orquídeas habitam apenas determinadas árvores. É até engraçado de ver. Uma mata cheia de árvores e apenas uma delas, em meio a tantas, com uma determinada espécie. Questão de preferência? De certa forma sim.

Já é sabido que algumas orquídeas preferem determinados tipos de árvores. Exemplos? Ionopsis são fanáticas por goiabeiras. Phymatidium gosta bastante de cítricas em geral. Alguns Pleutothallis gostam bastante de troncos de Araucária, vejam só. Talvez por causa da casca bem rugosa. Amoreiras e jabuticabeiras também são muito apreciadas por várias espécie.

Enfim, é um material sem contra indicação. Será?

Engano seu. É preciso certo cuidado sim. Uma coisa que o aquarismo me ensinou é ter cuidado com o tanino presente nos troncos que eu quisesse utilizar no aquário. A mesma coisa se aplica para as orquídeas, pois o tanino por ser prejudicial para as raízes.

Tratando os trocos

Muitos não efetuam nenhum tipo de tratamento. Bom, não posso afirmar com 100% de certeza que isto vai ocasionar problemas à sua planta. Mas por que arriscar? Troncos recém cortados possuem ainda muita seiva e outros tipos de secreções que podem prejudicar a planta. Mesmo secos, eles possuem o tanino que, dependendo da quantidade, pode também danificar a planta.

Vou considerar que não vamos utilizar troncos verdes (recém cortados) e sim aqueles já secos e próprios para o uso. Para retirar boa parte do tanino (sim, porque nunca conseguiremos eliminar todo o tanino), o ideal é deixá-lo de molho por alguns dias, trocando a água diariamente (o ideal é mais vezes por dia). Por quanto tempo? Bom, para valer o esforço, eu diria que de 20 a 30 dias, dependendo da madeira.

Existem pessoas que fervem o tronco para ajudar a eliminar o tanino. Outras, além de ferver, adicionam sal grosso ou cloro para ajudar no processo. Nunca li nada que comprove que estes elementos ajudem a eliminar o tanino. Mas confesso que fervo o tronco algumas vezes, até a água não ficar tão marrom. E adiciono um salzinho de vez em quando.

É bom ressaltar que quando utilizamos elementos como sal e cloro, é necessário deixar o tronco de molho por alguns dias em água limpa (efetuando trocas), para que estes elementos possam ser eliminados.

Ainda sobre o tanino, muitas das cascas que compramos nas floriculturas não são tratadas, ou seja, possuem bastante tanino e também outras secreções. Cuidado.

Comércio

Os mais comercializados são:

Casca de Pinus

Também chamada de Pinus elliottii. É o que normalmente encontramos por aí, pelo menos aqui no Sul. Não tem tanta facilidade em fixar a planta no vaso, porém, retém quantidades significativas de adubo, além de umidade. Sua durabilidade média é de um ano.

Nó-de-pinho

Nada mais é do que um pedaço da Araucária, ou Pinheiro do Paraná, que não se decompõe. Pelo menos não tão facilmente. Uma árvore é capaz de cair e se decompor e ainda assim seus nós irão ficar. Não possui toxinas e de alta durabilidade, porém, difícil de encontrar (legalmente). Retém um pouco de umidade e adubo.

Casca de peroba

Boa por ser rugosa, tem origem na peroba-rosa, ou Aspidosperma pyrifolium. É utilizada para o cultivo vertical, sendo bastante durável. Não retém umidade nem adubo. Mas é ótima para espécies que gostam de raízes expostas.

Existem outros, mais comuns apenas em algumas regiões. Não vou me aprofundar nestes. Nada impede que você use o tronco que achar conveniente. Apenas lembre-se de cuidar para que ele não apodreça rapidamente e não passe à planta doenças. Eu tive experiências péssimas com troncos, tendo que replantar algumas de minhas orquídeas. Tudo por teimosia. Quis utilizar troncos verdes ou com tendências ao apodrecimento rápido. Lembrem-se que o rápido apodrecimento judia da planta, além de ser uma porta de entrada para fungos e bactérias.

Referências

Abraços!

8 COMENTÁRIOS

  1. Olá Luis… tb sou Curitibano e gosto de acompanhar seu site.
    Com relação à madeiras tenho uma dúvida sobre a imbuia. Ganhei várias Ripas de imbuia e pretendia picar em tamanhos pequenos e medios e fazer substrato para minhas, mas não sei se é uma madeira interessante para as orquideas com relação ao tanino. A madeira é forte e dura, isso todos sabem, mas com relação ao tanino vc tem alguma ideia?

    grande abraço
    André Coleto

    • Andre

      Eu tenho bastante micros em madeiras ditas “comerciais”. Nunca tive problemas… pelo menos acompanho sempre as raízes e, nas que eu uso, nunca vi sinais de problemas. Não sou especialista em madeiras, mas não vejo problemas. Utilizo troncos daqueles que colocamos em aquários, que sei que tem um alto teor de tanino, e não vi nada de anormal. É bom ficar de olho, mas acredito que se você fizer um pré-tratamento poderá utilizar sem problemas.

      Você pode fazer um teste antes, plantando apenas uma orquídea com este tipo de substrato. Se notar algo errado, não utilize. Senão, vá em frente. Se algo estiver errado, os sinais aparecerão rapidamente nas raízes.

      Abraços

      • Luis volto para dar noticias quanto ao substrato. Além de incluir lascas de imbuia incluí cavacos de itaúba e cavacos de eucalipto. Fiz o tratamento para tirar taninos mediante molho e fervura das lascas das madeiras e fiz o plantio em várias plantas. O resultado é animador… e para ajudar agora na primavera com o aumento da temperatura e da luminosidade as orquídeas (principalmente cattleyas) estão emitindo muitas raízes, e se envolvendo no substrato, demonstrando que gostaram da “novidade”.

        Aparentemente parece ser um substrato de secagem rápida, mas quando está dentro do vaso plastico tem uma secagem mais lenta, por isso inclui novos furos nas laterais para uma drenagem rápida., (lembrado que sou de Curitiba onde o clima frio e úmido predomina)

        Queria dar uma sugestão de tema para seus artigos, que seria a influência da Lua no cultivo das orquídeas, onde poderia abordas as fases da lua e o momento certo para replantar, cuidar de pragas, priorizar o desenvolvimento das raízes.etc.

        abraços

        • Oi André

          Então somos conterrâneos! Fico feliz em saber que o resultado com o substrato é animador. Mantenha-me informado e, se quiser, também mande-me umas fotos. Gosto de ver este progresso.

          Sobre a sugestão de tema, está anotado! Vou pesquisar sobre isto e, se for viável, publicarei algo bacana!

          Abraços

    • Oi Leila

      Pelo que vi aqui, sim. Por precaução, faça um teste com apenas uma planta e veja como ela vai se comportar ao longo de algumas semanas. Se tudo correr bem e a planta se fixar e crescer, pode usar sem problemas.

      E, é claro, venha aqui me contar!

      Abraços

  2. eu estou pensando em serrar alguns pedaços de galhos de arvores bem pequenos para colocar como substratos para as minhas orquideas porque eu achos a casca de pinus muito pequenas e se deteriorizam muito facilmente sera que da certo

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