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Substratos para orquídeas – Fibra de coco

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Substratos (2) - Fibra de coco

Pois bem. Falamos do xaxim há alguns dias e percebi que muitos ainda o utilizam, gostam, mas sabem que um dia a fonte secará. Para estes, a fibra de coco pode ser a solução.

Todos com quem conversei que o utilizam tem o xaxim há tempos, estocado. Imagino que seja assim mesmo, afinal, onde conseguiríamos comprá-lo? E quando digo comprá-lo, estou falando de uma forma lícita, pois sei que os mesmos mateiros que vendem orquídeas do mato também vendem o xaxim. Tudo vai da consciência de cada um.

A fibra de coco é um substrato considerado por muitos como o substituto do xaxim. Por este motivo, resolvi falar dele antes de comentar os que eu realmente utilizo. Ué, mas eu não utilizo fibra de coco? Não. Por que? Porque não gosto.

Vamos aos fatos. Segundo o Wikipedia, a fibra de coco, também chamada Coir, provém do coqueiro comum (cocus nucifera). É a única fibra de fruta que é usada em quantidade digna de ser mencionada. O coqueiro é plantado na Índia desde a antiguidade. Lá ele é chamado de “Árvore do Bem-Estar” ou “Árvore do Céu”. Desde 1840 o plantio é feito em grande escala. O coco fornece um sem-número de artigos importantes (…). Do mesocarpo obtém-se a fibra. (…) Atualmente, a Índia é líder mundial na comercialização desse produto, com 1,02 bilhão de toneladas de fibra produzidas por ano. (…) No Brasil, a produção é ainda incipiente, com cerca de 40 milhões de toneladas de fibra produzidas anualmente. Os coqueiros vêm crescendo no estado de São Paulo, tomando espaço da laranja e do café nas regiões de São José do Rio Preto, Marília e Garça.

Bacana. De certa forma, é uma reciclagem. Antes, fibra era um item jogado no lixo. Agora, fabricamos vasos e outros artigos com esta fibra.

Bom, se você utiliza fibra para suas orquídeas e gosta, ótimo. Você se adaptou bem à fibra e as técnicas de plantio nela. Eu confesso que aqui realmente não rolou. Entre um vaso de cerâmica e um de fibra, fico com o de cerâmica. Entre um substrato com fibra e outro qualquer, bom, eu acho que existem coisas melhores.

Mas há pessoas que gostam. No blog Minhas Orquídeas, a autora cita que gosta bastante. Mas comenta que, para o sucesso do cultivo, é necessário utilizar material de boa qualidade. De nada adianta utilizar um material de fibra mal fabricado. Provavelmente ele vai se desfazer e/ou machucar suas plantas, principalmente as raízes. Particularmente, eu confesso que este é um grande problema: material de boa qualidade. Voltando ao porque eu não gosto da fibra, acredito que é muito devido à maneira que os vasos e palitos são fabricados. Primeiramente não gosto daquela coisa aglomerada que utiliza muitas vezes cola tóxica para ser construída. Depois, todos que eu tive se desfizeram/apodreceram muito rapidamente. A mesma coisa com a fibra isolada, como substrato.

Mas devo salientar: é a minha opinião. Eu optei por não usar, mas se você gosta e usa, ótimo. Todos temos que encontrar uma forma de cultivo que gostamos e facilita nossa vida.

Cultivo

Para o cultivo em fibra, é importante lavá-la bem com água de torneira. Depois deixe-a de molho por uma hora em uma solução de água sanitária (1/3 de copo para 8 litros de água – balde). Depois, enxaguar em água limpa. Isso ajuda a eliminar o excesso de substâncias tóxicas (tanino) e matar fungos e bactérias. É importante também colocar o substrato, com a planta, vaso, tudo junto, em um balde com água de torneira por 15 minutos. Assim serão eliminados os excessos de sais que podem queimar as raízes. É uma simulação do que acontece nas florestas, quando cai uma chuva torrencial.

Apresentação

Coco desfibrado: feito a partir de cocos que sobram da comercialização da água e são vendidos em estado rústico. Tem a vantagem de conter macro e micro nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento da planta. É importante ter cuidado com o tanino presente na fibra (vide tratamento acima). Por outro lado, não retém muito adubo e é carente de nitrogênio. Não é recomendado para regiões frias e úmidas porque retém muita água e as raízes podem apodrecer.

Fibra de coco prensada: produto industrializado feito a partir do coco desfibrado. Pode ser encontrado em forma de vasos, pequenos cubos, bastões, placas ou fibras. Possui a vantagem de conservar a acidez em um nível bom para a absorção de nutrientes. Além disto, é muito absorvente, sendo ideal para regiões mais secas e quentes. Da mesma forma que o desfibrado, não retém muito adubo e é carente de nitrogênio. Ao absorver a água, aumenta um pouco de tamanho e se expande. Ao secar, volta ao seu volume original. Não é recomendado para regiões frias e úmidas porque retém muita água e as raízes podem apodrecer.

Lembre-se que o excesso de tanino pode queimar as raízes.

Referências

  • wikipedia.org
  • minhasorquideas.wordpress.com
  • aorquidea.com.br

Abraços!

IV Simbraoq – 23 de março – Conservação de orquídeas

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Pessoal, estou compartilhando com vocês uma palestra do meu amigo Luciano Zandoná, a respeito de conservação de orquídeas na Mata Atlântica. A palestra dele começa em 1h30m do vídeo. É muito importante entender este tipo de trabalho pois vai de encontro ao que escrevi sobre a coleta ilegal e suas consequências.

Mais informações sobre o trabalho do Luciano você encontra em zandonaconservacao.com.br.

Morfologia: as flores das orquídeas

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Eis o motivo pelo qual todos nós cultivamos orquídeas: suas flores! Alguns podem até discordar, dizendo que a planta importa tanto quanto sua flor, mas eu sou categórico em dizer que, salvo raras excessões em que o vegetal é tão lindo quanto a flor, cultivamos orquídeas para apreciar suas belas flores. E, diga-se de passagem, este não é um trabalho fácil, seja para a planta, seja para o orquidófilo. O tempo que uma orquídea pode levar para gerar uma flor pode ser bem longo, como pode ser visto no meu artigo “O longo caminho entre a semente e a flor da orquídea“.

A natureza, sábia, já pensa um pouco diferente de nós. Se cultivamos as orquídeas pela beleza de suas flores, as orquídeas as geram com a finalidade de perpetuar a espécie, gerando descendentes. Este processo, de alta complexidade, demanda esforço e energia, exigindo muito mais da planta e, por isto, devemos entender todo este processo e dar a devida atenção à ele.

A família das orquídeas é uma das que apresenta o maior espectro de variação floral. Geralmente apresentam flores hermafroditas, mas podem apresentar flores exclusivamente masculinas ou femininas em alguns gêneros. O tamanho das flores também varia bastante, podendo ser milimétrica, do tamanho da cabeça de um alfinete, ou grande o suficiente para ser maior que sua mão aberta. Suas cores variam bastante também, muitas vezes mesclando várias cores, sendo ainda mais atraentes. Veja alguns exemplos:

As flores normalmente apresentam simetria bilateral, possuindo seis tépalas, sendo que estas estão divididas em duas camadas. As três mais externas são chamadas de sépalas e as três mais internas são as pétalas. Uma das pétalas, a inferior, é chamada de labelo.

Morfologia: as flores das orquídeas
Morfologia da flor. Desenho de Malena Barretto, 1997

As tépalas variam bastante no formato e tamanho, podendo até se apresentar parcialmente ou inteiramente unidas em alguns casos. É o caso dos Paphiopediluns, que possuem a sépala dorsal completamente diferente das outras duas laterais, que são fundidas formando uma só. Essa sépala é colorida e curvada por cima do labelo, formando um copo, protegendo-o da entrada de água. Confira na imagem abaixo:

Labelo

O labelo é a pétala dorsal que, por uma torção de 180° no botão floral (ressupinação), termina por posicionar-se numa posição ventral, embora em certas orquídeas isto não ocorra. O labelo diferencia-se das outras pétalas, podendo ser bastante simples e parecido com as outras pétalas ou apresentar calos, lamelas ou verrugas, com formatos e tamanhos variados, até bastante intrincados com cores diversas e contrastantes. Isto se dá por um motivo muito nobre: o labelo também tem a função de ser o chamariz da orquídea para seus polinizadores. Normalmente ele se encontra-se em posição oposta aos órgãos reprodutivos, e utiliza sua forma e suas cores para guiar o polinizador de forma a que ele entre em contato com a antera e carregue as polínias por meio de calos na sua superfície. Além disso, o labelo pode produzir odor, guiando insetos pelo olfato em direção aos órgãos sexuais da flor. O labelo ainda pode secretar néctar, que é um atrativo para certos polinizadores. Quando o labelo é altamente especializado, ele pode simular a cor e a forma de uma abelha fêmea, atraindo os machos da espécie e fazendo com que eles copulem com a flor, carregando as polínias para outra flor e assim efetuando a polinização. A observação das estruturas e padrões do labelo é uma das maneiras mais simples de reconhecer as diferentes espécies de orquídeas.

Órgãos reprodutivos

O androceu e o giniceu, orgãos reprodutivos das orquídeas, encontram-se reduzidos e fundidos em uma estrutura central chamada coluna, ginostêmio ou androstilo. A quantidade de estames varia de acordo com a subfamília, mas a maioria apresenta apenas o estame central funcional, com os dois outros atrofiados ou ausentes. Assim como o labelo, a coluna ajuda muito na identificação das orquídeas.

Morfologia: as flores das orquídeas
Morfologia da flor. Desenho de Malena Barretto, 1997

Seu pólen normalmente está aglomerado em uma massa firme e cerosa denominada polínea, porém pode estar também agrupado em uma massa pastosa ou, em alguns casos, soltos. As políneas podem ter várias cores e tamanhos e ficam penduradas em uma haste chamada caudículo ou estipe. De acordo com sua estrutura, ficam presas por um disco viscoso chamado viscídio, coladas por um líquido espesso secretado pelo rostelo. A maioria das espécies epífitas apresenta uma pequena capa recobrindo as polínias, denominada antera. O estigma é normalmente uma cavidade na coluna, onde as polínias são inseridas pelo agente polinizador. O ovário é ínfero, tricarpelar e possui até cerca de um milhão de óvulos.

É importante entender que a complexidade das orquídeas é tamanha que o gasto energético que uma orquídea despende ao produzir suas flores é altíssimo. Plantas que não se encontram saudáveis também podem florescer, até por um impulso de preservação da espécie, mas você deverá decidir se levará a floração adiante, pois isto poderá resultar na morte da planta. Em casos assim, aconselha-se eliminar a floração e fortalecer a planta.

Referências

  • orquideassemmisterio.blogspot.com.br
  • Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  • wikipedia.org
  • Malena Barretto

Abraços!

Substratos para orquídeas – Sphagnum, esfagno, musgo

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Substratos para orquídeas - Sphagnum, esfagno, musgo

Precisa de umidade? Talvez no musgo esteja a solução.

Dando continuidade aos artigos que estou escrevendo sobre substratos, agora é a vez do esfagno.

O esfagno, meio de cultura muito utilizado pelo pessoal das plantas carnívoras, é um ótimo substrato para aquela orquídea que necessita de um pouco mais de umidade. Ou para “dar liga”, quando você coloca uma planta em um tutor muito rígido e seco, como madeira. Quando molhado, pode armazenar em suas células o equivalente a 20 vezes o seu peso seco.

Em casa utilizo-o para plantas bem específicas. Tenho esfagno em minhas caixetas com Masdevallias, Draculas e Dryadellas. Aparentemente, está funcionando muito bem visto que minhas plantas estão cheias de brotos e sempre florindo. Comercialmente, é utilizado principalmente com seedlings e plantas carnívoras.

Bom, segundo o Wikipedia e devidamente corrigido pelo Gabriel Santos, Sphagnum é o único gênero da família Sphagnaceae, que por sua vez é a única família da ordem Sphagnales que, por fim, apresenta-se como a única ordem da suclasse Sphagnidae. Este gênero agrupa cerca de 200 espécies em todo o mundo, podendo ser desde a cor verde até a marron, passando pelo  vermelho.

Utilização

Ótimo em reter umidade, porém, é necessário cuidado. Não é um substrato de longa vida útil. Se usado com adubos orgânicos, atenção: sua durabilidade diminui ainda mais. O ideal é substituí-lo quando começar a se desfazer. Para utilizá-lo é recomendável lavá-lo para retirar sais potencialmente prejudiciais às raízes das plantas.

O esfagno não é um substrato de sustentação, restringindo um pouco seu uso. Por causa disto, muitos orquidófilos o utilizam misturado a outros elementos, principalmente aqueles que retém pouca umidade, como cascas, pedras e isopor. Entretanto, desta forma sua vida útil é ainda menor, sendo necessária troca anual. Na ponta do lápis, torna-se extremamente custoso.

Extração

Assim como o xaxim, o esfagno é protegido por lei no Brasil, tendo sua extração proibida. Sim, extração, pois ainda não temos cultivadores deste musgo aqui no país. Sendo assim, todo musgo de procedência nacional é proveniente de coletas ilegais. Fique ligado, é uma planta de crescimento lento (assim como o xaxim) e sua coleta pode causar sua extinção.

O esfagno legalizado que temos aqui no país é o proveniente do Chile. É colhido nas bordas dos lagos andinos através de manejo sustentável de extração. Em miúdos, isto quer dizer que quando uma área é colhida, a anterior descansa até o musgo regenerar-se. A espécie chilena cresce dentro da água pura dos lagos da montanha, nas margens mais rasas a cerca de 1,5m de profundidade. Perto da linha d’água está a parte mais felpuda, considerado o melhor musgo e, obviamente, o mais caro. Quanto mais fundo, ou seja, perto da terra, ele é mais ralo e barato. A parte do musgo fina e sem pelos não é arrancada do fundo, pois dela sairá a nova brotação.

Um erro comum é pensar que este é o musgo comum que se encontra nos muros, pedras e afins em nossas casas. Não. Lembre-se que existem muitas espécies de musgo, sendo que o esfagno pode ser identificado com alguma segurança pela forma da sua “cabeça”. Claro, há variantes de esfagno que crescem em rochas, pedras e e paredões rochosos. Eles habitam florestas tropicais muito úmidas, como a Mata Atlântica, e/ou regiões com umidade ambiente elevada, sendo facilmente achado na beira de rios e perto de cachoeiras.

Se você conseguir com que o seu musgo brote, pode ser cultivado para uso posterior. As condições necessárias são local muito iluminado, sem sol direto e temperaturas não muito elevadas.

Referências

  • Gabriel Santos
  • biologados.com.br
  • jsalmazo.blogspot.com.br
  • wikipedia.org
  • carnivoras.org
  • orquidecampos

Abraços!

Classificação das orquídeas por habitat: as rupícolas, litófitas ou rupestres

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Orquídeas em pedras. Pera lá, pode isto?

Sim! E se você pensa que isto é coisa de ficção científica, saiba que você pode estar mais perto destas belezas do que imagina.

Orquídeas litófitas, saxícolas, rupícolas, petrófitas ou ainda rupestres (ufa!) são plantas que crescem diretamente sobre rochas. Bom, na verdade não é bem sobre elas, mas sim em suas rachaduras ou em lugares onde haja o acúmulo de matéria orgânica e umidade. É um ambiente extremamente inóspito, fazendo com que apenas plantas especializadas consigam o feito de se desenvolver plenamente em lugares assim. Por que? Obviamente, um ambiente assim não é um centro de excelência no fornecimento de nutriente a uma planta. Por isto, uma orquídea rupícola normalmente não é uma planta de grandes proporções.

O grande barato destas orquídeas (e outras plantas rupícolas) é que elas dependem muito da composição rochosa abaixo delas. Em um ciclo comum, temos uma rocha colonizada por aquilo que chamamos de litófitas primárias, como os musgos. Estas litófitas irão instalar-se sobre rochas que, por consequência de sua forma, acumulam minerais e matéria orgânica. Desta forma, acabam permitindo a instalação de outras espécies maiores, como orquídeas e bromélias.

Você pensa que a dureza acabou? Não, veja só como pode ser ainda mais complicado. Levando-se em consideração que estas orquídeas vivem sobre as rochas elas estão, em sua grande maioria, sob Sol pleno. Para sobreviver, protegem suas raízes colocando-as sob a matéria orgânica onde se encontra. Porém isto não é uma unanimidade, pois não é difícil encontrar orquídeas vivendo sobre rochas que atingem temperaturas bem mais altas e ver que todo este calor não danifica a planta e suas raízes. Como regra geral, formam touceiras compactas cobrindo pequenas áreas.

laelinhas rupicolas
Laelias em seu habitat natural

Seu metabolismo faz com que ela não perca muita água durante o dia, não abrindo seus estômatos neste período. Estas estruturas abrem apenas no período noturno, para a realização das trocas gasosas importantes para a formação de ácidos que serão estocados nos vacúolos das células e que depois, durante o dia, serão utilizados nos processos fotossintéticos.

Algumas dicas importantes para o cultivo

  • alta luminosidade e boa ventilação;
  • substrato misto de pedra canga – laterita – e casca de pinus em decomposição;
  • uso de isopor na parte de baixo do vaso – preferencialmente de plástico – para ajudar na drenagem;
  • adubação orgânica – torta de mamona, farinha de ossos e cinzas (5-2-3);
  • irrigação sempre que estiver seco, a noite no verão e pela manhã no inverno.

Rupícola
Laelias em seu habitat natural

Respondendo a pergunta do início do artigo: por que você estaria mais perto do que imagina destas belezuras? Muito simples, temos uma vasta gama de Laelias (hoje chamadas de Hoffmannseggella) no Brasil, principalmente em Minas Gerais e no Espírito Santo. Portanto quando for adquirir uma beleza destas, fique de olho nos cuidados para que ela cresça bem e floresça sempre!

Referência

  • awzorchids.com.br

Substratos para orquídeas – qual o melhor?

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Substratos (7) – Resumão e considerações finais

É importante conhecer os fatores que influenciam o substrato a ser escolhido. Antes de mais nada, a planta. Se ela necessita de mais ou menos água ou aeração é primordial para saber que material usar no substrato. Outro fator é o clima na região onde ela estará plantada. Orquídeas que precisam de umidade, porém, estão em um lugar quente e seco, necessitam de um substrato que retenha mais umidade. O inverso também é valido, portanto, cuidado! Não existe mais cultivo de orquídea sem organização e preparo. Você tem que estudar e entender tudo que envolve a planta, inclusive as técnicas para proporcionar a ela a melhor ambientação possível.

Aí vem a questão: qual é o melhor substrato de todos? Vamos tentar responder esta questão no final deste artigo.

Principais propriedades de um bom substrato

Tenha em mente que um bom substrato deverá:

– Reter bem os nutrientes depois de cada adubação para liberá-lo aos poucos;
– Ser facilmente encontrado no mercado;
– Não possuir substâncias que sejam tóxicas para a planta;
– Sustentar a planta com firmeza;
– Permitir uma boa aeração para raízes;
– Reter água na quantidade ideal, sem encharcar;
– Manter o pH equilibrado;
– Durar de 2 a 3 anos, pelo menos.

E existe um substrato com todas estas características? Não. Por isto misturamos alguns elementos para chegarmos perto do substrato ideal.

Também é necessário lembrar que para utilizar um substrato são necessários alguns cuidados, como lavá-lo e esterilizá-lo (escrevi sobre isto no post sobre madeiras e afins). Também é importante realizar o que alguns chamam de “water flush”, ou seja, lavar o substrato periodicamente. Colocar o vaso embaixo de uma torneira por alguns minutos ou mergulhá-lo em um balde com água por algum tempo fará com que o substrato elimine o excesso de sais que poderiam prejudicar as raízes. Aliás, a segunda opção também fará com que pequenos animais saiam do substrato, afinal, eles precisam respirar. Por fim, adubação. Nenhum substrato é capaz de liberar tantos nutrientes quanto a planta necessita. O complemento com o adubo se torna extremamente necessário.

Novamente vem a questão: qual o melhor substrato? Calma…

Primeiro, assistam este vídeo e já voltamos ao assunto.

Agora, leiam (se ainda não leram) a minha série de artigos sobre substratos:

Substratos para orquídeas – Xaxim e sua proibição
Substratos para orquídeas – Fibra de coco
Substratos para orquídeas – Sphagnum, esfagno, musgo
Substratos para orquídeas – Cascas, lascas, troncos e madeiras em geral
Substratos para orquídeas – Materiais inertes
Substratos para orquídeas – Mix, misturas e afins

Então, depois de tudo isto, a que conclusão eu chego? Qual o melhor substrato?

Eu diria que o melhor substrato é o natural. Como assim? Ué, o melhor substrato do mundo é aquele onde a orquídea nativa está. Eu explico: quando sua semente saiu da cápsula, ao vento, procurando um lugar para iniciar um novo ciclo de vida, o lugar que ela parou e conseguiu germinar pode ser considerado um excelente substrato. Veja o empenho orquidófilos do mundo inteiro para fazer um punhado de sementes brotarem em um pequeno frasco de vidro. A natureza, sábia como só ela, consegue fazer isto naturalmente.

Preciso dizer mais? Ok, posso colocar toda a questão de outra forma: o melhor substrato para mim? Nenhum. E todos. Tudo ao mesmo tempo. Tudo dependerá de você.

Sim, tudo dependerá do tempo que você dedicará ao estudo, ao cultivo, à observação, enfim, ao aperfeiçoamento. Só assim você se tornará um excelente orquidófilo e terá plantas saudáveis, floridas e bem cuidadas.

Afinal, não é isto que buscamos?

Abraços!

Morfologia: a inflorescência das orquídeas

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Entender nossas orquídeas é um grande passo para cultivá-las corretamente. Desta forma, elas irão viver e não apenas sobreviver.

Neste quarto artigo da série sobre a morfologia das orquídeas, chegamos à parte que mais interessa à grande maioria das pessoas: as flores. Entretanto, não vou falar delas diretamente neste momento. Antes de falar das flores, é importante conhecer outra estrutura diretamente ligada à elas: suas inflorescências.

A inflorescência é a parte da orquídea em que se localizam as flores. Normalmente consiste em um prolongamento semelhante ao caule provido de folhas modificadas chamadas brácteas (clique aqui para ler mais sobre a morfologia das folhas e o que são brácteas). Nas axilas destas brácteas localizam-se as flores. Elas variam de acordo com a espécie, podendo ter de uma a algumas centenas de flores. De certa forma, o termo inflorescência diz respeito à tudo que envolve a forma como as flores serão apresentadas pela orquídea, ou seja, tem relação com a quantidade de flores em uma haste, a posição em que essa haste surge, a disposição em que essa haste se encontra e se ela produz flores indefinidamente ou de forma definida.

Forma

Uma inflorescência pode ter apenas uma flor ou centenas de flores, formando cachos sensacionais. Além disto, as inflorescências nas orquídeas podem variar, entre outras coisas, em relação a sua forma.

Posição

Em relação à posição das inflorescências, elas podem ser apicais, laterais ou basais. Nas orquídeas apicais, as inflorescências saem do topo dos caules. Já nas laterais, as inflorescências saem de uma gema lateral do caule. Por fim, nas basais, as inflorescências saem de uma gema na base do caule ou do nó mais próximo ao rizoma – ou do próprio rizoma. Estas hastes podem ser eretas, pendentes ou podem crescer em direção ao substrato e saírem por baixo dos recipientes de cultivo, como as Stanhopeas:

1091 - Stanhopea lietzei var. straminea (33)
Inflorescência basal em uma Stanhopea

orquideas.eco.br - glossário orquidófilo
Inflorescência apical em um híbrido

Forma da inflorescência

A forma das inflorescências também é bastante variada, sendo simples ou ramificadas. Além disto, elas podem ser racemosas ou paniculadas, formando corimbos ou umbelas, com flores simultâneas ou abrindo em sucessão, ao longo da inflorescência ou brotando sempre no mesmo local.

Racemo

Rácemo, racemo, racimo ou cacho é um tipo de inflorescência em que os pedicelos (estrutura originada da modificação do caule responsável pela sustentação e condução de seiva para as flores) das flores se inserem em diversos níveis no eixo comum, a ráquis (eixo central de estruturas biológicas ramificadas), atingindo diferentes alturas, e cujas flores se abrem sucessivamente na extremidade do ramo, conforme este vai crescendo, de maneira que as flores mais velhas ficam mais afastadas do ápice. Seu crescimento é indeterminado.

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Racemo

Em alguns casos, quando o racemo é claramente visível, tal pode refletir-se no nome científico da planta.

1122 - Brassia Rex
Brassia Rex e sua inflorescência racemosa

Panícula

Panícula é um tipo de inflorescência que se caracteriza por um cacho (racemo) composto em que os ramos vão decrescendo da base para o ápice, razão porque assume forma piramidal.

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Panícula

Oncidium Twinkle e sua inflorescência paniculada
Oncidium Twinkle e sua inflorescência paniculada

Corimbo

Corimbo é um tipo de inflorescência aberta, racemosa, na qual o eixo é curto e os pedicelos das flores são longos, inserindo-se a diferentes alturas do eixo. O comprimento de cada pedicelo floral é tal que todas as flores do corimbo abrem a um mesmo nível.

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Corimbo

Umbela

Umbela é um conjunto de flores que partem os pedicelos, iguais, do eixo central, com formato de um guarda-chuva. Pode ser simples ou composta.

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Umbela simples

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Umbela composta

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Bulbophyllum guttulatum x rothschildianum: umbela

Espiga

Espiga é um tipo inflorescência de flores sésseis ao longo de um raquis (eixo da inflorescência). Quando o eixo é grosso e carnoso, a inflorescência chama-se de espádice.

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Espiga simples

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Espiga composta

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Bulbophyllum elassonotum: espiga

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Bulbophyllum lilacinum: espiga

Outras estruturas

Algumas espécies apresentam estruturas perenes, que servem apenas para floração. É o caso de algumas Masdevallias, por exemplo. As flores apresentam brácteas em sua base, porém muitas vezes reduzidas em tamanho. Por outro lado, outra apresentam brácteas grandes, como em algumas espécies do gênero Eria e Cyrtopodium.

Como curiosidade, a inflorescência das espécies do gênero Dimorphorchis pode estender-se por quase cinco metros com flores espaçadas em quase um metro. Já a inflorescência das Octomeria mede poucos milímetros de comprimento.

orquideas-eco-br-oncidium
Que tal o tamanho da haste deste Oncidium?

Referências

  • orquideassemmisterio.blogspot.com.br
  • funghiitaliani.it
  • wikipedia.org

Abraços!

Glossário do orquidófilo

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Nós, meros mortais, que nos aprofundamos no estudo da orquidofilia por hobby, normalmente (ou sempre) esbarramos em termos que até então não conhecíamos. São muitos os termos que, para aqueles que não são oriundos de uma área de formação relacionada à Biologia, acabam por confundir mais do que ajudar. Pensando nisto, eis um pequeno glossário voltado aos orquidófilos.

É simples, mas sempre ajuda.

Em tempo: este texto será atualizado constantemente.

A

  • Abaxial – face inferior ou dorsal das folhas;
  • Acume – ponta aguda e comprida;
  • Acuminado(a) – agudo(a), aguçado(a), pontiagudo(a); terminado(a) em, ou provido(a) de acume, folha terminando gradualmente em ponta;
  • Adaxial – face superior ou ventral das folhas;
  • Adnato – ligado a alguma coisa de que parece fazer parte, que nasce junto de; fusão de diferentes partes, como labelo e coluna;
  • Adsorção – adesão (fixação) de moléculas de um fluido (o adsorvido) a uma superfície sólida (o adsorvente);
  • Aecial – estado esporifico dos fungos destinado à multiplicação zigótica;
  • Agente polinizador – ave ou inseto que fecunda a flor;
  • Alba ou albina – variedade de flor branca, sem pigmentação, podendo ter nuances amarelos na fauce;
  • AM – “Award of Merit“, prêmio de mérito, segunda maior premiação dada pela American Orchid Society e outras sociedades orquidófilas a plantas com qualidade de flor avaliada entre 79,5 e 89,4 pontos;
  • Anamórfico – estado assexuado, conidial ou clonal dos fungos;
  • Androceu – conjunto dos órgãos masculçinos da flor, conjunto dos estames;
  • Antera – porção dilatada, sacular, que se acha no ápice do filete do estame e que encerra os grãos de pólen;
  • Antracnose – infecção fúngica caracterizada por manchas de coloração castanha-marrom, arredondadas ou irregulares, sobre as folhas ou pseudobulbos;
  • AOSAmerican Orchid Society, sociedade orquidófila dos EUA, com sede na Flórida, com mais de 550 sociedades afiliadas. Edita mensalmente a revista “Orchids“;
  • Apiculado – provido de apículo, ponta aguda, rija e curta;
  • Aquinada – diz-se das Cattleya e Laelia que apresentam as pétalas manchadas, lembrando a Cattleya intermedia var. Aquini;
  • Assimbiótico – processo de germinação de sementes, criado por Knudson em 1922, em laboratório, em que as sementes são introduzidas dentro de um frasco esterilizado contendo micronutrientes, onde não é necessária a presença do fungo micorriza, para germinar e se desenvolver. Quando bem executado, pode-se obter milhares de plantas com uma única cápsula de sementes.

B

  • Bainha – bráctea protetora que envolve, total ou parcialmente, o escapo floral, quando ainda em formação, protegendo-o até que o mesmo esteja em condições de irromper de seu interior. Também conhecida por espata;
  • Bifoliada – que apresenta duas folhas num só pseudobulbo;
  • Botão – a flor antes de desabrochar; pode ser usado também para a pequena saliência que nos vegetais dá origem a novos ramos, folhas ou flores;
  • Bráctea – folha geralmente modificada, em cuja axila nasce uma flor ou uma inflorescência;
  • Bulbo – na orquídea, o que chamamos de bulbo chama-se pseudobulbo, pois o bulbo na realidade é um órgão que na maioria das plantas, fica abaixo do solo;
  • Bulbo traseiro – um velho pseudobulbo, frequentemente sem folhas, simpodial, que ainda está vivo e pode ser usado para propagação de uma nova planta ecomo reserva de nutrientes para o restante da planta.

C

  • Cálice – invólucro exterior da flor periantada, composto por sépalas livres ou concrescidas/fundidas, total ou parcialmente;
  • Cápula – o fruto que contém as sementes das orquídeas, frequentemente com milhares e até mesmo milhões de sementes;
  • Catafilo – cada uma das duas folhas opostas de uma plântula, muitas vezes escamiformes e aclorofiladas, situadas acima dos cotilédones e abaixo das folhas propriamente ditas, mais simples que as folhas características da planta. As escamas de certas gemas, bulbos e rizomas também podem ser chamadas de catafilos;
  • Caule – parte de uma planta que suporta as folhas e as flores, com forma, organização e dimensões extremamente variáveis;
  • CBR – “Certificate of Botanical Recognition“, prêmio da AOS dado apenas uma vez a uma orquídea espécie quando é pela primeira vez apresentada em flor;
  • CCM – “Certificate of Cultural Merit“, prêmio da AOS dado ao cultivador de uma muito bem tratada planta de orquídea;
  • CHM – “Certificate of Horticultural Merit“, prêmio da AOS dado a uma espécie de interesse acima dos padrões dos cultivadores;
  • CITES – sigla de “Convention on International Trade in Endangered Species“, ou Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, acordo internacional que relaciona as espécies de plantas e animais consideradas em perigo de extinção e as regras que controlam ou proíbem seu comércio;
  • Clamidosporo – célula especial rica em nutrientes e de paredes espessas produzida por algumas espécies de fungos, destinada a resistir a condições ambientais adversas;
  • Cleitogamia – polinização que ocorre antes da flor desabrochar;
  • Cleistogâmica – flor que realiza autopolinização, sem estar aberta inteiramente;
  • Clone – todas as diversas manifestações vegetativas (divisões, propagação meristemática, etc…) de uma única planta de orquídea, cultivada originalmente de uma só semente;
  • Coalescência – junção de várias manchas ou lesões, normalmente fúngicas, formando uma área maior e contínua;
  • Colo – parte da planta situada entre a haste principal e as raízes, no nível do solo;
  • Coluna – nas orquídeas, estrutura constituída pelo concrescimento de filetes e estigmas. Orgão sexual, localizado na parte superior do labelo, podendo ou não ser envolvida por este. Órgão que se projeta do centro da flor da orquídea e que é o resultado da fusão dos órgãos, masculino (estame) e feminino (pistilo). É uma importante característica para a identificação das orquídeas;
  • Conidial – estado assexuado, anamórfico ou clonal dos fungos;
  • Coriáceo – de consistência e aspecto semelhante de couro;
  • Coroa – a parte central da roseta de folhas de uma orquídea monopodial, como Phalaenopsis, da qual novos brotos se elevam;
  • Corola – invólucro floral, por dentro do cálice, geralmente a parte mais vistosa das flores, de cores variadas, formada por um ou mais segmentos livres ou concrescidos, as pétalas;
  • Cromossomo – corpúsculo em que se divide o núcleo celular no curso da mitose; cada espécie vegetal ou animal possui um número constante de cromossomos, que transmitem os caracteres hereditários de cada ser e constituem unidades definidas na formação do novo ser;
  • Cruzamento – a progênie que resulta da transferência de pólen de uma planta para a flor de outra; o ato em si;
  • Cultivar – em orquídeas, uma planta específica cultivada de uma única semente; deve ser designada com aspas simples em seu nome. Ex.: Cattleya labiata var. ametistina ‘Canoinha’;
  • Cultura de tecidos – técnica de laboratório que consiste em fazer novas plantas mediante propagação de tecidos meristemáticos; micropopagação meristemática, merismática.

D

  • Decídua – diz-se da planta cujas folhas caem em certa época do ano ou após amadurecimento, com novas brotações após um período de repouso;
  • Descanso hibernal – descanso vegetativo da planta;
  • Diandras – planta que apresenta dois estames no androceu da flor;
  • Diplóide – planta com duas séries cromossomas, também conhecida como 2N;
  • Divisão – forma de obter novas plantas pelo corte do rizoma de uma orquídea simpodial (ex. Cattleya) em partes contendo pseudobulbos e rizomas, com gemas vivas, ou corte de uma parte superior do tronco de uma orquídea monopodial (ex. Vanda);
  • DOG – “Deutsche Orchideen Gesellschaft“, Associação Alemã de Orquídeas, que atribui, em ordem de valor, medalhas de ouro (GM), prata (SM) e bronze (BM) às plantas julgadas;
  • Dormência – um período de entorpecimento e repouso durante o qual não ocorre crescimento vegetativo, comumente após um período de crescimento ou a perda de folhas; normalmente requer temperaturas mais baixas e menos água.

E

  • Ectoparasita – parasita que se situa na parte externa do hospedeiro;
  • Ensiforme – em forma de espada;
  • Epífita – diz-se de uma planta que vive sobre outra, mas sem parasitá-la, ou seja, sem retirar dela nutrientes, que lhe são providos pela chuva, pelo ar e detritos disponíveis. Pode viver sobre outros tipos de suporte. Que vive sobre árvores usando-as apenas como hospedeiro; Ver post sobre orquídeas epífitas clicando aqui;
  • Equitante – diz-se das folhas conduplicadas quando as mais velhas envolvem as mais novas da mesma gema ou do mesmo broto (a palavra vem do latim equitare, cavalgar, montar sobre), como no conhecido Oncidium equitans, agora renominado como Tolumnia, ou na Maxillaria equitans (ex Marsupiaria matogrossensis);
  • Escapo floral – inflorescência;
  • Esfagno – musgo de água e que é um ótimo substrato para o desenvolvimento de plantas mais novas, pois ele mantém umidade por mais tempo e geralmente não produz fungos; Ver post sobre esfagno clicando aqui;
  • Espata – bráctea protetora que envolve total ou parcialmente, o escapo floral, quando ainda em formação, protegendo-o até que o mesmo esteja em condições de irromper de seu interior. Também conhecida como bainha. Bráctea que fica na base de uma inflorescência, em geral membranosa, que protege a flor em botão;
  • Espécie – conjunto de plantas ou outros seres vivos muito semelhantes que parecem ter um ancestral tão próximamente relacionado que suas características definitivamente os separam de qualquer outro grupo; várias espécies formam um gênero. Indivíduo representativo de uma classe, de um gênero, de uma espécie, etc; pode indicar também a espécie que tipifica um gênero;
  • Espermogonio – órgão produtor dos gametas sexuais masculinos;
  • Esporos – formação geralmente unicelular e uninuclear, capaz de germinar em condições determinadas, reproduzindo, vegetativa ou assexuadamente, o indivíduo que o formou; propágulo dos fungos;
  • Estame – órgão masculino da flor, onde se encontram a antera e os sacos polínicos, que encerram os grãos de pólen;
  • Estigma – cavidade existente na parte inferior da coluna, embaixo da antera, preenchida de uma substância gelatinosa, que recebe as políneas para a fertilização (parte feminina da flor);
  • Estômato – estrutura microscópica existente na epiderme das folhas e caules, constituída basicamente de duas células que se afastam e se aproximam, permitindo uma abertura pela qual se efetuam trocas gasosas entre a planta e o meio e absorção de água ou sua exsudação.

F

  • Fauce – extremidade do tubo do labelo. Abertura do tubo da corola, do labelo em orquídeas;
  • FCC – “First Class Classification”, o mais alto prêmio para qualidade de flor dado pela AOS, para plantas avaliadas entre 89,5 e 100 pontos. Este prêmio surgiu na RHS, que o mantém até hoje;
  • Ferrugem – infecção causada por determinados fungos, caracterizados por altas taxas de reprodução; no herbário do Instituto Biológico de S.Paulo existem mais de 11.000 espécies de ferrugens coletadas no Brasil;
  • Filiformes – em forma de fios;
  • Fimbriado – em forma de franja, principalmente com relação a segmentos finamente recortados;
  • Flabelado – em forma de leque; flabeliforme;
  • Flâmea, Flameada – diz-se da flor que apresenta as pétalas coloridas, da cor de chama, imitando o labelo; é um tipo de pelória;
  • Flor – órgão da planta adaptado à reprodução sexuada em que o pólen proveniente da parte masculina (estame) que é transferido para o ovário da parte feminina (pistilo ou estigma) para que se dê a fecundação e surjam então as sementes;
  • Florífera – diz-se de planta que floresce frequentemente;
  • Folha “terete” – folhas ‘terete’ são folhas cilíndricas e engrossadas, com aparência tipo uma cebolinha, para colocar em termos práticos. São uma adaptação comum ao xerofitismo (adaptação a áreas secas = xericas). Em plantas como Brassavola e Leptotes ainda ha um sulco na folha, equivalente ao sulco central em Cattleyas, Laelias etc… Outras espécies, como por exemplo Papilionanthe teres (ex Vanda teres), muito cultivada no Brasil, são completamente cilíndricas, sem qualquer evidencia de sulco (Cássio Van Den Berg);
  • Fonte de inóculo – tecidos ou órgãos de plantas sobre os quais os fungos produzem propágulos de disseminação e dispersão;
  • Forma lepto – ferrugem que produz teliosporos hialinos os quais germinam sem qualquer período de repouso;
  • Fotosíntese – síntese de materiais orgânicos a partir de água e gás carbônico, quando a fonte de energia é a luz, cuja utilização é mediada pela clorofila;
  • Frasco – vasilha, normalmente de vidro transparente, usado para germinação de sementes ou micropropagação de meristemas de orquídeas (e outras plantas) em laboratório;
  • Fusiforme – com a forma de fusos (bobinas), como alguns pseudobulbos.

G

  • Garganta – a parte mais interna de um labelo tubular de orquídea;
  • Gênero – subdivisão de uma família que agrupa espécies muito próximas. O nome do gênero vem em primeiro lugar na designação latina de uma planta. Um conjunto de orquídeas ou outros seres classificados juntos porque apresentam características similares e um presumível ancestral comum; há cerca de 900 gêneros naturais de orquídeas e cerca de 600 outros intergenéricos, poucos nativos, a maioria feitos pelo homem;
  • Gineceu – a parte feminina da flor; conjunto de pistilo, que por sua vez é formado de ovário, estilete e estigma;
  • Ginostêmio – órgão central, em forma de coluna, das flores das orquídeas, constituído pela junção do estame e do pistilo;
  • Grex – termo usado para referir toda a progênie de um específico cruzamento.

H

  • Habitat – lugar onde um determinado organismo vive ou habita;
  • Haste – parte da planta que sustenta alguma outra;
  • Haste floral – longo ramo desprovido de folhas que parte da base da planta e é guarnecido de flores;
  • HCC – “Highly Commended Certificate”, Certificado de Altamente Recomendável, o menor dos três prêmios para qualidade de flor dados pela AOS, para plantas avaliadas entre 74,5 e 79,4 pontos;
  • Herbário – coleção de espécimes de plantas que passaram por um processo de prensagem e secagem, ordenadas de acordo com um determinado sistema de classificação e disponíveis para referências e outros fins científicos;
  • Hialino – destituído de cor, transparente;
  • Híbrido – a progênie (descendência) resultante da união de duas diferentes espécies (o que seria um híbrido primário), ou de uma espécie e um híbrido, ou de dois híbridos (um híbrido complexo). É o resultado do cruzamento entre espécies, subespécies ou outros híbridos, dando origem a uma nova planta que apresenta a junção das características dos pais que a geraram;
  • Híbrido natural – aquele que ocorre na natureza, sem interferência do homem;
  • Hifas – qualquer filamento de um micélio;
  • Higrófito – vegetais adaptados à vida em ambientes de elevado grau de umidade.

I

  • In situ – locução latina que significa “no lugar”;
  • In vitro – cultivo assinbiótico, em meio estéril (sem o fungo micorríza);
  • Inflorescência – qualquer sistema de ramificacão (racimo, panícula ou escapo) terminado em flores. Cacho ou espiga agrupando flores;
  • Intergenérico – cruzamento entre dois ou mais gêneros, resultando um híbrido intergenérico.

J

  • JC – “Judges’ Commendation”, recomendação dos juízes, prêmio dado pela AOS para planta especial e/ou para flores muito características;
  • JOGA – “Japanese Orchid Growers Association”, Associação Japonesa dos Cultivadores de Orquídeas, que reúne orquidófilos do Japão.

K

  • Keiki – são plântulas que emergem nas hastes florais ou mesmo na base de determinados gêneros, como Phalaenopsis e Dendrobium, inicialmente com folhas e raízes, que, com determinado tamanho, podem ser retiradas e replantadas, constituindo uma nova planta. A palavra tem origem no Havaí e se pronuncia “quêiqui”.

L

  • Labelo – é a terceira, a maior e mais colorida pétala de uma flor de orquídea, modificada pela evolução num labelo (com a forma de lábio) quase sempre um atrativo campo de aterrissagem para polinizadores;
  • Lanceolada – folha larga no meio, atenuando-se para as extremidades, em forma de lança;
  • Linear – folha estreita com bordas paralelas;
  • Litófita, litófila – orquídea ou outra planta que cresce ou se desenvolve sobre rochas; rupreste, rupícola; Ver post sobre orquídeas rupícolas aqui;
  • Lobo, lóbulo – recorte pouco profundo e arredondado;
  • Lobos laterais – os dois lobos de cada lado do lobo central de um labelo trilobado;
  • Lumem, lux – unidades de medida de intensidade luminosa.

M

  • Mandaiana – diz-se da variedade de Laelia purpurata que não apresenta estrias na fauce, normalmente de cores suaves no labelo;
  • Mericlone – uma cópia exata de uma orquídea, salvo alterações genéticas, feita em laboratório pela técnica de propagação de tecidos meristemáticos; como um cultivar, deve ter seu nome escrito entre aspas simples;
  • Meristema – divisão clonal de uma planta, também chamada micropropagação ou cultura de tecido. Para utilizar este método, necessita-se de um ótimo microscópio esteroscópio para facilitar a propagação do núcleo meristemático da orquídea. A escolha da planta é fundamental para iniciar este método. Tecido que se caracteriza pela ativa divisão de suas células e que produz as novas células necessárias ao crescimento da planta; ex. gemas, pontas de raiz e outros. Pode ser usado como sinônimo de mericlone;
  • Meristemagem – técnica de laboratório que consiste em fazer novas plantas mediante propagação de tecidos meristemáticos; micropopagação meristemática, merismática;
  • Micélio – talos dos fungos, composto de filamentos, ditos hifas, destituídos de clorofila;
  • Micorriza – fungo que vive em simbiose com vários tipos de plantas, geralmente em suas raízes e que ajuda na conversão de alimento das plantas, existe em grande quantidade na raiz das orquídeas e além da conversão, esteriliza a semente propiciando as condições necessárias a sua germinação e desenvolvimento até chegar a um tamanho em que possa se desenvolver sozinha. Associação íntima de raízes de uma planta com as hifas de determinados fungos, necessária à germinação simbiótica de sementes de orquídeas;
  • Microcíclica – ferrugem de ciclo curto que produz somente espermogônios e teleosporos ou apenas teleosporos;
  • Microesclerócio – grupo de células ou de hifas enoveladas, formando um corpúsculo compacto, produzido por certas espécies de fungos, destinado a resistir a condições ambientais adversas;
  • Mitose – divisão celular em que o núcleo forma cromossomos e estes se bipartem, produzindo dois núcleos filhos com o mesmo patrimônio original;
  • Monofoliada – que apresenta apenas uma folha por pseudobulbo;
  • Monandra – diz-se da planta que apresenta um só estame no androceu da flor;
  • Monopodial – crescimento da planta somente na direção vertical. Tipo de ramificação em que o eixo principal mantém-se retilíneo e uniforme, gerando ramos menores que ele; ex. Vanda, Phalaenopsis, etc;
  • Multiflora – que apresenta muitas flores; multifloral.

N

  • Néctar – líquido açucarado que as orquídeas e outras plantas segregam em várias partes, denominadas nectários;
  • Nectário – estrutura glandular que produz néctar, podendo ser de diversos tipos, localizados na flor (nectários florais) ou fora delas (nectário extraflorais);
  • Nematóide – verme cilíndrico que apresenta espécies capazes de parasitar plantas;
  • Nidoepífitas – Esse termo foi inventado por Hoehne ao descrever as espécies que desenvolveram uma combinação específica de raízes; a Miltonia cuneata é um ótimo exemplo. Crescem nos topos dos troncos das árvores, depois da bifurcação principal, produzem raízes finas;
  • – um ponto de junção ou encaixe, numa inflorescência, caule ou pseudobulbo, de onde podem emergir uma haste floral, folhas ou mesmo raízes; o espaço entre dois nós consecutivos é chamado de entrenó;
  • Nomenclatura – vocabulário de nomes; Ver post sobre nomenclaturas das orquídeas clicando aqui, aqui ou aqui;
  • Nomenclatura binominal – expressão de dois nomes, em latim ou grego latinizado, método científico de nominar seres existentes, com o primeiro termo (com inicial maiúscula) um substantivo significando o gênero e o segundo um adjetivo (com inicial minúscula) significando a espécie. Deve ser grafado em itálico. Ex.: Homo sapiens, Canis domesticus, Cattleya labiata, Tyrannosaurus rex.

O

  • Oblongo – folha com base e ápice arredondados;
  • Obtuso – folha terminando num vértice arredondado;
  • Orquidácea – Provavelmente a família com o maior número de plantas. Algumas epífitas, outras rupícolas e as terrestres, rizomatosas na sua maioria;
  • Ovário – a parte do pistilo que contém óvulos;
  • Ovóides – de forma oval;
  • Óvulo – unidades contidas no ovário, a célula ovo que se transforma na semente.

P

  • Panduriforme – que tem formato de viola ou violino. Ex. Coelogyne pandurata;
  • Panícula – inflorescência do tipo cacho composto, em que os ramos vão crescendo da base para o ápice, assumindo uma forma aproximadamente piramidal;
  • Patógeno – organismo que tem a habilidade de produzir doenças;
  • Pedicelo – haste que suporta uma flor (e mais tarde um fruto) numa inflorescência; o mesmo que pedúnculo;
  • Pelória – anomalia vegetal, comum nas orquídeas, em que uma flor zigomorfa (com um só plano de simetria, simetria bilateral) mostra tendência a se tornar actinomorfa (com várias simetrias radiadas, ou seja, que permite sejam traçados vários planos de simetria); ex. típico: Cattleya intermedia var aquini;
  • Pelórico – que apresenta pelória; peloriado;
  • Pétala – segmento que compõe a corola, invólucro floral por dentro do cálice; podem ser livres ou concrescidas e geralmente formam a parte mais vistosa da flor, com cores as mais variadas; em orquídeas, os três segmentos que se posicionam entre as três sépalas, um deles modificado como labelo;
  • Picnídeo – estrutura globosa e microscópica onde são produzidos os esporos de alguns fungos;
  • Plântula – pequena planta recém-nascida; uma orquídea nova, que ainda não floriu; seedling;
  • Polínias ou políneas – grãos de pólen ou massa de consistência gelatinosa, cerosa ou granulosa (parte masculina da flor). Políneas ou polínias são as massas agrupadas de pólen comuns nos grupos mais avançados de orquídeas. São geralmente associadas a outras estruturas peculiares de orquídeas. Na ponta da coluna você encontra as anteras como uma ‘cápsula’ branca com pequenas subdivisões ‘caixas’ dentro das quais se formam as polínias. Ao conjunto de polínias chamamos polinário. Em Cattleya e Laelia ha um pequeno apêndice, amarelo, originado do tecido das polínias, que se chama ‘caudículo’ e que adere ao inseto polinizador. Em outros grupos tais como Oncidium, Catasetum, Zigopetalum, Stanhopea, Maxillaria, Vanda, Phalaenopsis etc. estas caudículas são quase inaparentes e há uma estrutura diferente, como uma pequena haste alongada, geralmente branca e originada de tecido da Coluna e não da Polínia… Este é chamado estipe. Na sua extremidade oposta as polínias freqüentemente ha um outro tecido aderente, que é chamado viscidio e ajuda a esta estrutura toda (polinário + estipe + viscidio) aderir ao polinizador. Grupos mais primitivos, tais como Sobralias, Epistephium e Cleistes e muitas outras terrestres tem o pólen granuloso ou farináceo e mais ou menos solto, ao invés de agrupados em massas (Cássio Van Den Berg);
  • Pólen – espécie de fina poeira que esvoaça das anteras das plantas floríferas e cuja função é fecundar os óvulos, representando, assim, o elemento masculino da sexualidade vegetal;
  • Poliplóide – planta com um número de séries de cromossomas maior que dois e que normalmente apresenta flores com ganho de tamanho e forma;
  • Propagação vegetativa – a criação de novas plantas mediante divisão (corte) formação de keikis, ou métodos meristemáticos, mas não por semente;
  • Propágulo – qualquer estrutura, conjunto de células ou mesmo gemas especiais que servem à propagação ou multiplicação vegetativa de uma planta; organela de reprodução;
  • Pulverolento – coberto ou cheio de pó; semelhante a pó;
  • Parasita – vegetal que suga a seiva de outro vegetal, o que não acontece com as orquidáceas;
  • Protótipo – original, modelo exemplar mais perfeito;
  • Pseudobulbo – bulbo ou parte da planta, que armazena água e substâncias nutritivas.

R

  • Racimo – inflorescência indefinida na qual as flores são pedunculadas e se inserem no eixo a distância considerável umas das outras; o mesmo que racemo ou cacho;
  • Raiz – órgão de fixação do vegetal ao solo ou onde esteja ancorado, por onde retira água e nutrientes, com variáveis morfologias interna e externa; no caso das orquídeas epífitas, as raízes não absorvem nutrientes dos hospedeiros;
  • Raiz nua – método para despachar uma orquídea, retirada do vaso e com as raízes limpas de substrato;
  • Raízes aéreas – que se desenvolvem no ar, emitidas por caules aéreos. Sua funções são freqüentemente, a de segurar a planta a árvores ou a outros suportes e a de absorver unidade do ar;
  • Reniforme – com a forma de rim;
  • Ressupinado – órgão ou segmento vegetal que está invertido em relação à posição normal; em orquídeas, aquelas flores cujos labelos estão posicionados para baixo em relação ao eixo da inflorescência;
  • Ressupinar – ato ou efeito de tornar ressupinado; no caso da grande maioria das orquídeas, o labelo está voltado para cima dentro do botão da flor;
  • Ressupinação – movimento que a flor faz, de até 180º, antes de abrir-se, colocando o labelo em posição horizontal;
  • RHS – “Royal Horticultural Society”, a Real Sociedade Horticultural, que reúne orquidófilos e cultivadores de outras plantas no Reino Unido e que mantém hoje o registro de híbridos de orquídeas, talvez a única família botânica com a grande maioria de seus híbridos registrados;
  • Rizoma – caule carnudo da planta que une os pseudobulbos. Pode estar no subsolo ou na superfície do solo nas espécies terrestres, ou ainda nas epífitas que ficam na superfície da casca da árvore. Caule que se desenvolve horizontalmente, sobre o solo ou substrato, de onde emergem os pseudobulbos das orquídeas simpodiais;
  • Rostelo – parte estéril do estigma das orquídeas que se projeta em ponta;
  • Rupestre – orquídea ou outra planta que nasce ou se desenvolve sobre rochas; litófila, rupícola;
  • Rupícola – orquídea ou outra planta que nasce ou se desenvolve sobre rochas; litófila, rupestre; ex. Laelia rupícolas. Planta que vegeta sobre as pedras. Veja também sobre litófitas. Ver post sobre orquídeas rupícolas aqui.

S

  • Saprófita – planta que retira o alimento de organismos mortos. São raríssimas. A primeira orquídea foi coleta em 1928 na Austrália, trata-se da Rhizanthella gardneri; Ver post sobre orquídeas saprófitas aqui;
  • Saprófito – organismo que vive da matéria orgânica morta;
  • Seedling – planta nova. Período que varia do nascimento da semente, até à 1ª floração. Plântula, uma orquídea nova ainda não florida;
  • Self – orquídea obtida pela fertilização da mesma flor, aplicando-se o seu pólen sobre o próprio estigma;
  • Semi-alba – variedade de orquídea com pétalas e sépalas brancas e labelo colorido;
  • Sépala – segmentos que compõem o invólucro exterior (cálice) da flor periantada, podendo ser livres (cálice dialissépalo), como em Cattleya, ou fundidos total ou parcialmente em uma só peça (cálice gamossépalo), como em Paphiopedilum, Masdevalia e outras;
  • Sépala dorsal – aquela que se posiciona na parte superior da orquídea;
  • Sépala lateral – aquelas duas que se apresentam nos lados, apontando para baixo, formando um triângulo com a sépala dorsal, na maioria das orquídeas;
  • Septo – parede que separa os segmentos das hifas ou de esporos dos fungos;
  • Sibling – orquídea resultante de um cruzamento selecionado de plantas da mesma sementeira;
  • Simbiose – processo de propagação das plantas, na natureza, em que o embrião das sementes, é atacado pelo fungo micoriza, que vive em simbiose nas raízes. Esse fungo transforma a água, o ar e os detritos que são depositados nas raízes, em elementos nutritivos para que as sementes germinem;
  • Simbiótico – processo de propagação das plantas na natureza em que o embrião das sementes é atacado pelo fungo micorriza;
  • Simpetalia – fenômeno de concrescimento de pétalas em maior ou menor extensão;
  • Simpodial – crescimento da planta em dois sentidos(horizontal e vertical). Tipo de ramificação lateral em que o eixo não prevalece, sendo substituído por outro ramo, que, posteriormente, será substituído por outro, horizontalmente, de forma mais irregular que na ramificação monopodial; no caso das orquídeas, o tipo de crescimento dos rizomas que, após crescimento de um pseudobulbo e sua floração, abrem uma gema na base do pseudobulbo e iniciam novo crescimento, sempre seguindo horizontamente, em frente ou irregularmente;
  • Sinsepalia – fenômeno de concrescimento de sépalas em maior ou menor extensão;
  • Sistêmico – assim são chamados os inseticidas, fungicidas e outros pesticidas que, quando aplicados, são absorvidos pelas folhas e vegetações, atuando de dentro da planta;
  • Sphagnum – musgo d’água (ótimo substrato, por manter a umidade por mais tempo) e não proliferar fungos; Ver post sobre sphagnum aqui;
  • Substrato – material onde se plantam as orquídeas o meio, o material ou mistura de materiais usado para se plantar uma orquídea, envolvendo suas raízes e onde essas podem se desenvolver adequadamente; no Brasil, são mais comuns o xaxim em fibra (raízes de samambaia), esfagno (musgo), coxim (fibras de coco), cascas de pinhos e outras madeiras, piaçava ou piaçaba (fibras de folhas de determinadas palmeiras) pedaços de carvão, cascalho fino, etc. Para orquídeas terrestres e rupícolas há outros substratos, que incluem terra, areia, compostos orgânicos etc. Ver minhas postagens sobre substrato clicando aqui;

T

  • Teleosporo – tipo de propágulo (esporo) dos ficomicetos que possui a capacidade de se movimentar na água;
  • Terete – folhas ‘terete’ são folhas cilíndricas e engrossadas, com aparência tipo uma cebolinha, para colocar em termos práticos. São uma adaptação comum ao xerofitismo (adaptação a áreas secas = xericas). Em plantas como Brassavola e Leptotes ainda ha um sulco na folha, equivalente ao sulco central em Cattleyas, Laelias etc… Outras espécies, como por exemplo Papilionanthe teres (ex Vanda teres), muito cultivada no Brasil, são completamente cilíndricas, sem qualquer evidencia de sulco. Que tem forma cilíndrica, redonda; teretiforme;
  • Tereticaule – que tem caule cilíndrico. Ex. Vanda teres, hoje reclassificada como Papilionanthe teres;
  • Teretifoliado – que tem folhas de seção circular;
  • Terrestre – plantas que vegetam na terra, em orquídeas, aquelas que vivem no solo ou no pouco substrato, normalmente detritos vegetais, sobre o solo;Ver post sobre orquídeas terrestres clicando aqui;
  • Tetraplóide – planta com quatro séries de cromossomas, também conhecida como 4N e que normalmente apresenta flores com ganho de tamanho e forma;
  • Triplóide – planta com três séries de cromossomas, também conhecida como 3N e que dificilmente pode ser cruzada;
  • Túnica – invólucro exterior livre, membranoso ou fibroso, que envolve vários tipos de bulbo.

U

  • Unguiculado – de forma semelhante à unha;
  • Unifoliada – que apresenta apenas uma folha por ramo ou, em orquídeas, no pseudobulbo;
  • Urediniosporo – esporo clonal ou assexual das ferrugens.

V

  • Variedade – uma subdivisão de uma espécie que agrupa plantas com uma forma diferenciada que se transmite à progênie;
  • Vaso coletivo – muitas plântulas, ou “seedlings”, plantadas junto num único vaso, antes de atingir um tamanho que permita serem replantadas individualmente;
  • Velame – células de paredes espessadas e cheias de ar, absorventes, que envolvem as raízes das orquídeas epífitas e que têm um papel protetor e também de reservatório de água; velâmen;
  • Viscoso – que tem visco, que é pegajoso, grudento; o mesmo que visguento e víscido;
  • Virasole – produto utilizado para eliminar vírus em orquidáceas, segundo Malavolta (Instituto Botânico do Estado de São Paulo).

X

  • Xaxim – tronco de determinadas samambaias arborescentes, cuja massa fibrosa é utilizada como substrato para cultura de orquídeas e outras plantas. Ver post sobre xaxim clicando aqui;
  • Xerófito – vegetais adaptados, morfológica ou fisiologicamente, à vida em ambientes secos.

Referência

  • damianus.bmd.br

Abraços!

Classificação das orquídeas por tipo de crescimento: monopodial e simpodial

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Uma das classificações mais simples de utilizamos na família Orchidaceae é a relacionada ao seu tipo de crescimento, ou seja, o seu sistema caulinar. Basicamente, elas podem ter o crescimento monopodial ou simpodial.

Orquídeas monopodiais

As orquídeas monopodiais tem uma única haste principal, que cresce verticalmente e produz uma série de folhas na gema apical em sua ponta de crescimento. Esta ponta de crescimento, no final da haste, estende-se continuamente, e as hastes de flores emergem da haste principal entre os nós acima de cada folha. A haste pode, ocasionalmente, gerar ramos, mas isto é muito pouco frequente.

As orquídeas que crescem deste modo têm pouca capacidade para armazenar água. Sendo assim, normalmente precisam ser regadas com maior freqüência, geralmente sem secar muito bem entre as regas. Em muitos casos, as raízes ficam aéreas, expostas, sendo uma das principais fontes de umidade da planta, caso o ambiente tenha umidade suficiente para tal.

orquideas.eco.br - orquidea monopodial
Orquídea monopodial – Desenho de Malena Barretto, 1997

A divisão das orquídeas monopodiais é difícil, sendo que muitos procuram evitar, exceto os especialistas. Neste caso, os keikis são geralmente a melhor forma de propagar estas orquídeas.

Uma das vantagens das orquídeas monopodiais é que, devido à sua característica de crescimento para cima, você poderá reutilizar seus vasos, pois o tamanho poderá ser o mesmo, apenas acrescentando um novo substrato, se for o caso.

As orquídeas monopodiais mais comuns são as Phalaenopsis, Vanda e a Vanilla (baunilha).

Orquídeas simpodiais

As orquídeas simpodiais (ou de crescimento basítona) tem um rizoma a partir do qual emergem uma série de brotos, normalmente um por ano. Cada novo broto que amadurece torna-se um pseudobulbo. Neste, há a geração de flores e, geralmente, antigos pseudobulbos podem durar vários anos. Após a floração, quando a orquídea retomar o crescimento, irá começar a crescer outro segmento de rizoma e o processo é repetido. Normalmente, o pseudobulbo que gerou uma flor não irá florescer novamente. Entretanto, em algumas espécies de orquídeas, as florações podem persistir por muitos anos. Este pseudobulbo, com o tempo, vai perder suas folhas e depois de mais alguns anos acabará por morrer.

orquideas.eco.br - orquidea simpodial
Orquídea simpodial – Desenho de Malena Barretto, 1997

Ao dividir orquídeas simpodiais, o rizoma pode ser cortado mantendo pedaços com 3 a 4 pseudobulbos em cada parte. Pseudobulbos traseiros também podem desenvolver novos brotos.

As orquídeas simpodiais mais comuns são as Cattleyas e seus híbridos.

Referência

  • orchid-care-tips.com
  • Malena Barretto

Abraços

Etimologia, pronúncia e nomenclatura das orquídeas (3)

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1417 - Zygolum Louisendorf Rhein Moonlight
1417 - Zygolum Louisendorf Rhein Moonlight

Neste terceiro artigo da série vou abordar um tema que não deixa de ser também uma curiosidade.

Quantas vezes você já se pegou perguntando o que significava cada um dos sufixos em determinados nomes? Particularmente, eu sempre me confundo com estes sufixos. Por exemplo:

Pleurothallis amarelo-limão e branco. Conhece?

Mas espere, isto existe? Sim, existe.

Se chamarmos de Pleurothallis chloroleuca todo o planeta irá pensar na mesma planta. A palavra chloroleuca, derivada do latim, pode ser entendida em português como amarelo-limão e branco.

Temos inúmeros casos em que podemos entender o que significa o sufixo quando conhecemos seu significado. Particularmente acho isto muito bacana, além de muito útil. Vamos para a tabelinha:

Em LatimEm Português
acuminata, -umpontuda
aggregata, -umagregada, reunida
alba, -umbranca
amabilisdigno de amor, agradável
amethystoglossae língua (labelo) ametista
amicata, -umvestida
ampliatumamplo, largo
ampullaceumem forma de vaso
ancepsde duas cabeças
arcuatacurvada em arco
atropurpureacom cavidade púrpura
auranthiacaornada de ouro
aurea, -umcor de ouro
barbata, -umcom barba
bicolorde duas cores
bufosapo
calceolussapatinho
calceolarissapateiro
candida, -umbranco-puro
capitatuscom cabeça baixa
carinatadisposto em forma de quilha
caudata, -umcom cauda
cernua, -umde cabeça inclinada
chloroleucaamarelo-limão e branco
chrysanthumdourado
cocciniavestida de escarlate
coelestisazul da cor do céu
coeruleaazul
coerulescensazulada
concolorde uma só cor
cornigerumcom chifres
crispa, -umencrespada, ondulada
crispataencrespada, ondulada
crispilabiacom labelo ondulado
cristatacom crista, penacho
cruentamanchada de sangue
cucculatacom capuz
cupreumcor de cobre
cuneataem forma de cunha
denudansdescoberta, nua
difformede formas afastadas, divididas
discolorde diferentes cores
dolosaenganadora
eburnea, -umbranco, marfim
elatanobre, sublime
ensifoliumfolhas em forma de espada
falcata, -umem forma de foice, curva
fimbriatumfranjado, recortado
flabelattumem forma de leque
flavaamarela
flavescensamarelada
flos-aerisflor aérea
fragansde cheiro agradável
fucatapintada
furcatacom dois dentes
flagelariscom chicote
gigasgigante
glaucaesverdeada, verde-mar, cinzenta
grandifloraflores grandes
granulosasalpicada, pintada
guttatamalhada, mosqueada
harpophyllaem forma de espada curva
imarginatasem borda
incurvumcurvado, arredondado, corcunda
infractaquebrada, desanimada
insigne, -isadorno, enfeite, ornamento
intermediusintermediário
jugosusmontanhoso
lanceanumem forma de lança
leucoglossalabelo branco
lithophylla, -umque habita as pedras
longipescomprido
luridumpálido, amarelado
lutea, -umamarela
lutescensamarelado, avermelhado
macrocarpumfruta grande
maculata, -umpintada
megalanthagigante
miniatumavermelhado
nidus-avisninho de passarinho
nobilefamoso, nobre
ochroleucaocre e branca
oculataque tem olhos
odorata, -umperfumada
ornithoidesde forma de pássaro
papilioborboleta
parviflorumde flor pequena
patulaaberta, larga
picta, -umpintada, ornada, florida
pileatumcoberto com capacete, píleo
porphyroglossalíngua púrpura, língua grande
procumbensinclinada para frente, dobrada
pubescoberta de pelos
pubescenscoberta de pelos
pulchella, -umencantador
pulvinatumarqueado, boleado
pulmila, -umanã, pigmeu
retusaembotada, bronca, de cara feia
rexrei
rubensvermelho, colorido
rufescensruivo, avermelhado
rupestrisque habita as pedras
russelianapuxada a vermelho, ruiva
spectabilisvisível, belo, notável, brilhante
splendidumbrilhante, magnífico
spicatumdisposta em forma de espiga
striatacom estrias
strictaestreita
tenuisdelgada
teresdelgada, delicada
tricolorde três cores
thyrsiflorumcacho de flor
umbonulatade forma côncova ou convexa
unicolorde uma única cor
variegatade diferentes matizes
varicosumde pernas afastadas
venustaencantadora, formosa
verecundaruborizada, avermelhada
vernucosacom verrugas
viridiflavumverde-amarelo
viridisde cor verde
vittataenfeitada com fitas
xanthinaamarela
xanthoglossalíngua amarela

Espero que esta série de textos tenha ajudado vocês a compreender melhor como ler, falar e escrever o nome de suas plantas.

Abraços!

Referências

  • Questões práticas de nomenclaturas de Orquidáceas, José Gonzales Rapozo
  • Dicionário etmológico das orquídeas do Brasil, José Gonzales Rapozo
  • A etimologia a serviço dos orquidófilos, José Gonzales Rapozo
  • www.damianus.bmd.br/CursoLabiata

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